1. Muitas vezes ouvimos pais de alunos usarem essa justificativa quando os filhos têm comportamento inadequado na relação com professor ou com colegas na escola. Um aluno que não consegue conviver de forma tranquila no ambiente escolar terá, mais cedo ou mais tarde, uma série de dificuldades na aprendizagem e na relação com os estudos. Aos pais pedimos que reflitam um pouco sobre o que significa “ter uma personalidade forte”. Em geral, essa criança ou adolescente tem problemas em identificar limites e no respeito a regras e diferenças de opinião, cultura ou mesmo físicas. Ao ouvir repetidas vezes os pais justificarem seu comportamento como algo relacionado à personalidade, passam a acreditar que 1) não há como mudar e 2) que essa é a atitude que se espera dele. A escola dificilmente vai conseguir ajudar esse aluno a desenvolver todo seu potencial de aprendizagem e crescimento emocional, a menos que os pais aceitem que precisam fazer ajustes na rotina e na educação oferecidas dentro da família. Comece por estabelecer limites, ao invés de justificar atitudes que demonstram falta de flexibilidade e de controle emocional. Peça ajuda  e elogie o esforço para equilibrar a auto estima, enquanto elimina o clima permissivo que até este momento reinava dentro de casa. Logo você poderá substituir o “personalidade forte” por características positivas do seu filho e aí sim ele estará pronto para desenvolver todo o potencial nos estudos. Seja firme ao estabelecer os limites e seja o exemplo para ensinar o respeito nas relações pessoais. A relação com os estudos será beneficiada e a convivência em família será mais tranquila ao longo de toda a vida!

 

2. Relacionar com presentes atividades que fazem parte da rotina de higiene e de responsabilidades que cabem a seu próprio filho só gera consequências negativas. E conforme a criança segue ouvindo essas afirmações, vai criando estratégias para chamar ainda mais atenção dos pais por atitudes negativas. A criança se torna ansiosa e insegura, pois percebe nos pais a falta de segurança para estabelecer regras e limites. Em pouco tempo, a auto estima fica abaixo do nível mínimo necessário para que a aprendizagem ocorra de forma tranquila e saudável. Além disso, na escola, desde muito cedo, a relação com os colegas e professores fica prejudicada. O próprio aluno passa a acreditar que sempre precisa de uma chantagem ou estímulo somente externo para fazer o esforço necessário para que a aprendizagem ocorra. E como o Natal, Páscoa, aniversário nada têm a ver com higiene, responsabilidade e limites, os próprios pais confundem os filhos ao não cumprir as ameaças. A dica é ser sincero e bem direto desde muito cedo. “Mamãe, você vai ficar triste se eu não comer?” Sua resposta deveria ser algo do tipo: “Não, minha filha. Você é quem vai ficar doente, não vai crescer e nem conseguir aprender. A mamãe continua forte, saudável e amando você!”. Vamos lá, pais: joguem para longe essa culpa e o medo de assumir a responsabilidade de educar. O Coelhinho da Páscoa, Papai Noel e a Fada do Dente agradecem! E seu filho mais ainda, no futuro mais feliz que terá!

 

3. Sim, pais, eu sei que para vocês parece que não há outra alternativa para evitar estresse na hora da refeição. Mas sejamos sinceros: jura que você está aí vivo, forte, inteligente e bem sucedido e acha mesmo que a única maneira para seu filho comer é colocar uma telinha na mesa? Pensa no gênio que foi sua mãe, que conseguiu se virar sem Internet! Sim, sua afirmação de que seu filho só come se tiver o celular ou tablet prejudica, e muito, a relação dele com o aprendizado formal. Uma relação saudável com os estudos requer capacidade de foco e concentração. Mas a habilidade de se concentrar em uma atividade de cada vez não é desenvolvida no momento da aprendizagem. Ela é aprendida na rotina da família e depois transferida para os momentos de estudo. Assistir desenhos, filmes, jogos enquanto faz a refeição cria no cérebro da criança a necessidade de diversos estímulos simultâneos – exatamente o oposto daquilo que seu filho precisa aprender nesse momento. Além disso, o processo de aprendizagem requer o uso de recursos armazenados na memória de longo prazo. A hora da refeição é uma excelente oportunidade para enriquecer a memória. Conversas em família, a oportunidade de observar os adultos, sentir a textura e sabor da comida, aprender o nome dos alimentos e suas características, tudo isso se transforma em memórias que serão utilizadas no aprendizado formal, na escola. Uma criança que come distraída por uma telinha perde toda essa chance de enriquecer sua memória. Quanto ao restaurante, lá se vai mais oportunidade perdida, inclusive para o desenvolvimento de outras habilidades, como paciência e empatia. A dica é focar na rotina em casa. O hábito que seu filho desenvolver dentro no dia a dia da família será facilmente replicado nos momentos de convivência social, como restaurantes ou casa de amigos e familiares. Partiu desligar todos os eletrônicos no momento das refeições?

 

4. Prontos para o choque? Então lá vai: seu filho nunca é maduro demais para brincar com amiguinhos da idade dele. O fato de preferir crianças bem mais velhas ou adultos revela exatamente o contrário: falta de habilidades para o desafio que a convivência social representa. Com famílias menores, sendo filho único ou tendo somente um irmão, a criança acaba por crescer em um ambiente no qual ela é sempre a primeira (a jogar, a comer, a escolher, a falar), a que vence,, a que começa e a pessoa que decide encerrar a brincadeira. Esse ciclo só se mantém se esta mesma criança estiver com uma pessoa mais velha, que terá sempre a atitude condescendente de se anular e compreender. Outra criança da mesma idade vai requerer um esforço emocional ao qual seu filho não está acostumado. Na escola, como ele estará sempre em turmas de alunos com a mesma idade, ou ele se recusará a participar das interações que mais geram aprendizado ou criará situações de conflito, na tentativa de se manter como foco total de atenção o tempo todo. Amadurecimento emocional e cognitivo prejudicado na certa! A dica é buscar situações em que seu filho possa interagir com outras crianças desde muito pequeno. É nessas situações que os pais ajudam o filho a entender que é preciso dividir: a atenção, o brinquedo, o desejo de ser o primeiro. Aproveite situações do dia a dia. Mesmo tendo só um filho, divida com ele a bolacha, o suco, a vez de começar a brincadeira, o lápis de cor. Seu filho aprenderá a lidar com a frustração e desenvolverá habilidades como paciência e persistência desde muito pequeno. Assim, brincar com crianças da mesma idade ou maiores não fará diferença. Aí sim, seu filho será maduro o suficiente para enfrentar os desafios da aprendizagem formal e todos as adversidades que a vida trouxer!

 

5. Sim, toda criança saudável tem muita energia . Mas usar essa frase na frente do seu filho quando ele está se comportando de forma inadequada, em locais públicos ou na casa de amigos e familiares traz prejuízos para a própria criança. Primeiro, porque o que ela assimila ao ouvir repetidas vezes essa fala dos pais é que este comportamento é o que esperam dela. Segundo, porque depois de ouvir das pessoas em quem ela mais confia que ela “não consegue parar quieta”, isso se torna a verdade na qual ela também passa acreditar. Na rotina da família, acostumam-se com um ambiente sempre agitado e estressante. A realidade é que elas não são crianças que têm sobra de energia. São filhos com falta de habilidades. Falta paciência, capacidade de concentração, persistência, resiliência. O alerta acaba vindo na fase de alfabetização, na escola. Neste momento, desesperados pela dificuldade da criança em aprender a ler e escrever, dá-lhe correr atrás de diagnóstico que possa trazer um certo alívio. Mas, na grande maioria dos casos, não há déficit algum – a não ser o de limites e competências de convívio social. A dica é ajudar seu filho a criar o hábito de fazer somente uma coisa de cada vez. Sentou para assistir à televisão, os brinquedos ficam guardados. Quer brincar sentado no sofá, então desliga a TV. Quebra-cabeças, pintura e desenho são ótimas atividades para ajudar a desenvolver o auto controle. Sempre é tempo de ensinar uma criança a ser paciente, a respeitar as regras de convivência em grupo, a se esforçar, a tentar diversas vezes até conseguir. É sempre gratificante demais ver um filho descobrir que tem dentro de si todos os recursos para fazer da aprendizagem formal um grande prazer. As ferramentas estão guardadas ali, dentro do seu filho. A chave para canalizar para o bem toda essa energia, só você tem, pai/mãe!

 

            

 

 

5 Frases com impacto negativo na relação dos filhos com os estudos!

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