Ser a favor da inclusão virou moda. Isso traz tanto benefícios quanto prejuízos para um assunto tão importante.
O lado bom é que o assunto segue comentado. Ainda que melhor discutido do que colocado em prática, mas ainda assim a discussão abre portas que antes nem eram vistas como possibilidade.
A parte negativa é que, sendo visto como um assunto da moda, é possível sentir em muitas rodas a ideia de que “daqui a pouco tudo se acomoda e passa”. E assim sendo, os esforços que deveriam ser semelhantes ao de uma maratona acabam por se transformar em uma corrida de fundo. Com pouca energia para continuar o percurso, interminável, diga-se de passagem, os educadores responsáveis pelo processo vão desistindo no caminho.
A inclusão é um processo infinito. Sempre haverá adequação a ser feita. Para olhos atentos, haverá sempre novos aprendizados sobre cada criança, e este gerará mudanças na proposta pedagógica da escola.
“Peraí”… você disse “da escola”, Roberta?
Sim, quando a escola assume de fato seu papel no processo de inclusão, a mudança para melhor acontece em todos os aspectos, alunos, professores e pessoas envolvidas.
Adaptar uma aula ou um conteúdo para alunos com diferentes necessidades é uma arte que se aprende. É uma habilidade que se desenvolve e na qual a pessoa se torna expert quanto mais a pratica.
E a luz vem quando a visão sobre o processo já foi ampliada o suficiente para que o professor entenda que todos, absolutamente todos os alunos têm necessidades especiais. Isso é mais verdadeiro quanto mais nossos filhos vão perdendo a capacidade de foco, de concentração, já não desenvolvem habilidades que desenvolvíamos quando crianças, lá nos antigamente, no convívio com a família.
Pais sem preconceito sabem o quanto ambientes que valorizam a diversidade podem beneficiar o crescimento cognitivo e emocional de seus filhos. “Pais de filhos com alguma necessidade especial?” Não, pais de filhos e ponto final.
O grande desafio está em encontrar escolas que não estão preocupadas em atender leis que impõem a inclusão. Mas elas existem, felizmente. Existem escolas que fazem um trabalho sério, lindo de se ver e que, pasmem, acabaram por descobrir que os grandes beneficiados são os alunos que, a princípio, não precisariam de adaptação do material ou plano de aula.
Pode soar utópico, mas é real. Afirmo porque me transformei na profissional e na mãe que sou porque a escola soube me incluir – 50 anos atrás, quando ainda não se discutia a inclusão. E isso fez toda a diferença na pessoa que sou, nos obstáculos que venci, na crença que tenho na capacidade de aprendizagem de todo e qualquer aluno.
Aos poucos vamos contando para vocês onde estão e quais são essas escolas que não descansam jamais: seguem na busca de caminhos para cumprir seu papel de ensinar, educar, transformar. Um ponto comum entre elas: não fazem o trabalho sem a participação dos pais, das famílias.
“Das famílias de filhos de inclusão, Roberta?” Não, das famílias! Não importa quem seja seu filho, ela será beneficiado se a escola estiver fazendo um bom trabalho e se vocês, responsáveis, estiverem plenamente envolvidos.
Nosso primeiro caso de orgulho, amor, gratidão por termos conhecido essa proposta e as pessoas que a pensam, executam e aperfeiçoam é a Escola Internacional de São Paulo.
A Denise Lam, Diretora da escola, gentilmente atendeu nosso pedido para um depoimento sobre o trabalho que faz.
“Com o tempo, vimos que todas as adaptações curriculares e todas as orientações dadas aos professores no sentido de incluir crianças com autismo acabavam sendo benéficas para todas as crianças. As práticas baseadas em estudos e evidências na área da educação beneficiavam a todos, sem exceção. Além disso, acreditamos que todos os alunos irão precisar de apoio em algum momento de sua vida acadêmica, seja porque tem um diagnóstico de alguma condição como TEA, TDAH, DISLEXIA, DÉFICIT COGNITIVO, seja porque cada criança é única e, como tal, passa por dificuldades em determinados anos de suas vida acadêmica.”
 Apesar de notícias tristes, do descaso que muitas vezes vem de quem deveria propor políticas de apoio, recursos financeiros que viabilizem a formação continuada necessária aos professores, não deixo de acreditar que é possível.
Você conhece alguma escola que entende e faz com profissionalismo, competência e amor seu papel no que se refere à inclusão? Conte para nós. Será um prazer conhecer e compartilhar casos de sucesso!
O texto completo da Denise você pode ler aqui.
A escola do seu filho não trabalha bem com a inclusão? Pobres crianças normais!

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