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Adoramos esse post, encontrado em um perfil de uma rede social. E chamou também bastante a atenção pelos inúmeros comentários sobre como os pais reagiriam perante a situação.
Vai aqui então a dica do Socorro, meu filho não estuda! de como aproveitar a situação para multiplicar o nível de auto estima, aumentar o senso de responsabilidade e autonomia da criança que está fazendo a tarefa.
O que temos a dizer pode até chocar alguns pais/responsáveis, mas aí vai: não importa que números aparecem ali à direita. O resultado das contas não é o primeiro ponto em que os pais devem focar. Se fosse um questionário de Geografia ou História, não faria diferença alguma no primeiro momento se as respostas estavam corretas ou não.
Terminar uma tabuada ou as atividades de uma tarefa da escola é, por si só, uma conquista. Mais que isso: é uma oportunidade para aprender, na prática, através da atitude dos responsáveis, o valor que tem um esforço e o poder que tem o reconhecimento.
Ainda que nenhum resultado estivesse correto, a primeira reação do responsável ao ver a tarefa pronta não deveria ter foco na resposta que a criança/adolescente colocou. E depois dessa primeira reação vem uma ótima oportunidade para que o filho possa se orgulhar do trabalho que fez.
A primeira reação ao ver a tarefa terminada deve ser “parabéns pelo seu esforço!” – ou algo equivalente a isso (estou orgulhosa da sua dedicação, parabéns pelo tempo que passou focado em sua tarefa…).
Posso imaginar alguns pais, mesmo que só em pensamento, dizendo: “fazer a tarefa não é mais do que a obrigação e ainda vou parabenizar pelo esforço?!!!”
É exatamente aí que nasce o círculo vicioso da criança que descobre o “não fazer” como forma de chamar a atenção dos pais. Já que “fazer” não traz reconhecimento, quem sabe ao deixar de fazer os pais gastarão mais tempo com ele!
Mas o ponto principal é que se o responsável não reconhece porque acha que terminar a tarefa não é motivo suficiente para elogiar, como esperar que o filho reconheça o pão sobre a mesa se bastou uma paradinha na padaria? Ou a cama arrumada, se não levou nem 5 minutos para a mãe arrumar?
O exemplo é a melhor maneira de ensinar. Reconhecer e elogiar o esforço e dedicação de seus filhos ensina que cada um tem poder de tornar a vida do outro melhor. Que ações que parecem simples tornam-se grandiosas quando valorizadas pelas pessoas a quem admiramos.
E os resultados incorretos da tarefa, como lidar com eles?
Tudo o que estiver errado representa uma excelente oportunidade para ensinar autonomia e responsabilidade. Eis a diferença entre o papel da escola e o papel da família. A escola ensina o conteúdo e os pais podem ajudar. Os pais ensinam habilidades para lidar com os desafios da vida e a escola pode ajudar.
Quando os pais, na melhor das intenções, focam no erro e corrigem o conteúdo, dando a resposta correta, o cérebro da criança assimila mensagens que em nada ajudarão em sua vida pessoal. A primeira é que a criança vai se acostumando a se ver como alguém que não consegue fazer nada certo. Assim, não desenvolve a auto estima no nível necessário para aprender melhor. E a outra mensagem negativa registrada pelo cérebro é a de que os pais são responsáveis por corrigir o conteúdo da tarefa.
Tudo bem enquanto a tarefa for tabuada. Mas o que você fará quando ele estiver estudando equação do segundo grau? Ah, você ama e sabe muito da área de exatas? Pois logo virão as dúvidas de Língua Portuguesa, Química ou Filosofia.
Você já parou para pensar que na escola há professores especialistas para cada área? E você, aí, achando que tem que ter o conhecimento de uma biblioteca para ajudar seu filho com cada conteúdo!! Você realmente acha que poderá corrigir e resolver todas as questões e dúvidas que vierem na tarefa? Não. E não deve. Seu filho pode encontrar no material escolar. Pode ligar para um amigo. Ou pode ainda levar uma questão que não conseguiu responder para que o próprio professor o ajude. Em todos os casos, ele resolveu o problema!
Depois de elogiar o esforço, peça que ele corrija ou revise a tarefa, buscando a resposta na apostila da matéria, no caderno ou no livro didático. Só depois disso você olha as respostas com foco no resultado e dá uma pista mais direta, caso encontre algum erro. Por exemplo, no caso da tabuada da imagem, você poderia dizer que há um erro ali, mas ele é quem tem que encontrar e corrigir, conferindo as respostas em seu material escolar.
Basta um “agora pega seu livro e confere os resultados. Depois eu vou ver se você caprichou bastante e não errou nada.”  Pronto, mais oportunidade para elogiar um esforço que de fato ele fez!
Caso seu filho seja uma daquelas crianças ou adolescentes que adoram desafiar e diga que não vai corrigir, aproveite exatamente esse lado contestador e proponha você  o desafio:
  • “agora você pega seu livro e corrige – mas deixa uma só resposta errada para eu ver se consigo descobrir qual é.”- no caso de ter vários erros;
  • “vamos ver quem consegue corrigir primeiro um erro que tem aí nesse exercício. Enquanto você confere no seu livro as respostas, eu vou tentando lembrar aqui o que sei.”
  • “as duas primeiras e as duas últimas respostas estão corretas. Entre as outras há uma errada. Duvido que você descubra e corrija em 5 minutos!”
Dá trabalho? No início, sim. Mas em pouco tempo seu filho será mais independente, seguro e consciente de que a tarefa é responsabilidade dele! Mais que isso, nasce um aluno consciente de que aprender requer esforço. Só que lá dentro, no meio daqueles milhões de neurônios, há uma mensagem piscando e guiando cada passo: “parabéns pelo seu esforço”!!!

 

Corrigir o erro na tarefa é papel dos pais?

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