Cada vez mais encontramos na realidade de alunos com problemas na escola um ponto em comum: são filhos de pais separados.

Nos inúmeros pedidos de socorro que recebemos, seja por parte da escola que nos contrata ou por parte de pais desesperados, um dos dois – escola ou pais – já adianta a provável causa do baixo desempenho ou dos problemas de comportamento: o divórcio na família.

Ambos estão parcialmente corretos. Porque é muito bom para uma criança ou adolescente ter pai e mãe convivendo bem dentro de casa, em clima de harmonia. Isso pode sim afetar o processo de aprendizagem. Mas não é o fato de ter os dois na mesma casa que realmente faz diferença. É ter os dois, pai e mãe, falando a mesma língua em relação à educação dos filhos. É compartilharem de fato a responsabilidade por educar essa criança. É abrirem mão de questões de ego para garantir que aquele adolescente conviva com práticas coerentes de ambos os responsáveis.

E não é necessário que os pais continuem casados para fazer isso. A missão de educar um filho é maior, muito maior do que a relação de um casal. O amor entre o casal pode acabar, mas a responsabilidade ainda é dos pais de mostrar aos frutos daquele relacionamento o quanto são importantes. Cabe aos responsáveis usar todas as suas forças e estratégias necessárias para mostrar aos filhos que eles são capazes de superar junto com os pais a dor do rompimento do casal.

O que afeta o envolvimento e o desempenho na escola não é a separação em si. É como os pais, apesar de muitas vezes estarem abalados pela situação, usam a energia que resta para se colocarem ainda como parceiros e  responsáveis por ajudar o filho a entender que ele vai conseguir enfrentar a mudança na vida de toda a família. E que continua sendo parte de uma família.

Muitas vezes a guerra de egos ou o desejo de curtir a nova vida acaba se tornando o foco de um dos responsáveis. E tem ainda o desejo de vingar aquela traição ou de se mostrar menos abalado do que o ex que se foi. Assim os filhos se tornam ou “o problema” que um tem que “enfrentar” sozinho ou “a arma” com alto poder de impactar o outro. Encontramos também o caso de pais que acabam por colocar o filho na posição de grande vítima da situação. E assim passam para eles todo o peso de um caos que está muito acima da capacidade que teriam de absorver. Essas posturas sem dúvida impactam de forma tremendamente negativa a relação com os estudos e o desempenho escolar.

Não é a separação em si que gera os maiores problemas na relação com a escola. Acredite, isso seu filho consegue aceitar e criará estratégias para se adaptar, se os pais não jogarem na criança a parte que a eles cabe do luto.

A rotina escolar pode ser a fonte de alívio e segurança, se pais e escola unirem forças no período de adaptação à nova vida. Afinal, ali está um oásis onde tudo se mantém estável e conhecido.

Conversar com a coordenação da escola, pedir ajuda e atenção redobrada na fase de adaptação deste aluno a uma nova rotina, isso sim ajuda. Antecipar para o filho a expectativa de que o desempenho escolar seja afetado e ter as conversas com a escola na presença do aluno só atrapalha, seja qual for a idade.

Um grande desafio, sem dúvida. Manter os filhos imunes à dor da separação é impossível, mas conseguir que eles sintam-se seguros e amparados o suficiente para colocar energia nos estudos, isso sim é não só possível como também necessário. A receita: não tente fazer isso sozinho!

            

Filhos do divórcio e o baixo desempenho na escola: é possível mudar essa realidade!

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Uma ideia sobre “Filhos do divórcio e o baixo desempenho na escola: é possível mudar essa realidade!

  • 18/06/2018 em 11:32 am
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    Curioso o raciocínio deste artigo! Apresenta uma relação de causa e efeito (divórcio e mau desempenho na escola) e depois tenta de diversas maneiras negar a existência objetiva de uma influência da ruptura do relacionamento dos pais no resultado escolar dos filhos. Baseado em quais evidências científicas se pode afirmar, por exemplo, que o filho é capaz de “aceitar (a separação) e criará estratégias para se adaptar”? Qual criança tem a maturidade para lidar assim tão fácil com a ruptura de um vínculo amoroso, se é que é possível lidar bem com isso? Além disso, não concordo com a frase “o amor entre o casal pode acabar”. Isto porque depende do que se entende por amor: é um sentimento ou uma decisão? O que seria de mim, por exemplo, se minha mãe me amasse só apoiada por sentimentos? Em outras palavras: e se a minha mãe cansasse e desistisse de mim, ou seja, fosse guiada por sentimentos? Que bom que nunca considerei essa possibilidade em minha vida. O que os casais não podem negar nunca é o fato de que não podem amar somente 50% de seus filhos. Quer queiram ou não, o filho carrega 50% da carga genética do cônjuge ou do “ex-cônjuge”, seja para o bem ou para o mal. E aí: vai separar o seu filho pela metade? E sobre a harmonia na educação dos filhos, no caso de pais que romperam o relacionamento: se é necessário mesmo um acordo tão equilibrado sobre como educar o filho, porque não considerar então que tal equilíbrio deveria começar pelo relacionamento do próprio casal? O casal junto é o melhor arranjo para uma efetiva “guarda compartilhada”. É para pensar, não acham?…

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