Li em algum lugar que nós, mães, temos superpoderes. Sinto uma certa saudade de quando acreditei que realmente meus superpoderes de mãe eram capazes de salvar minha filha de todos os males da vida.

Nós, mães, passamos a vida toda oscilando entre a ânsia de proteger e a angústia de consolar nossos filhos. E assim vamos colocando o coração à prova o tempo todo, sem descanso.

Nunca conseguimos curtir totalmente os dias de festa. Nos dias em que podemos sorrir com as conquistas e alegrias de um filho, o coração aperta com o desejo de poder eternizar aquele momento. É sempre hora de fazer uma pequena oração, seja qual for a crença, pedindo que o “feliz para sempre” se torne realidade ali mesmo. Um dia alguma mãe ainda vai inventar um botão de pausa no mundo, só para manter o filho sorrindo por mais tempo.

E vêm os dias ruins. Quando ainda temos um bebê nos braços, sofremos com as cólicas, dores de ouvido, com as quedas que inevitavelmente acompanham os primeiros passos. Depois choramos porque ficaram tranquilos demais na escola ou porque os deixamos aos prantos com a professora. Mas o tempo voa. Sem o controle de pausa, lá vão as crianças insistindo em crescer e, proporcionalmente, aumenta o impacto de cada dor no coração de uma mãe. Não demora e percebemos que havia consolo em toda e qualquer doença para a qual pudemos dar um remédio. Apesar do desespero em medir a febre, sabíamos que depois do medicamento, ela ia baixar. Apesar do susto, sabíamos que o gesso curaria a trinca no braço. Apesar da angústia, sabíamos que o antibiótico curaria a dor de garganta.

De repente a gente pisca os olhos e ali, bem diante da mãe que pensava já saber todas as respostas, vem o mundo e muda todas as perguntas.

E agora, mãe: que remédio cura a dor do amor não correspondido? Em qual farmácia encontro um xarope para amenizar o sofrimento de uma grande decepção com pessoas que por anos foram o símbolo de respeito e dignidade?

Com a alma estraçalhada por sua total incapacidade de curar as dores da alma de um filho, a mãe finalmente entende qual o poder maior de todos. Um poder que a ela foi concedido no exato momento em que olhou para sua cria pela primeira vez. Um poder que ficou ali, em algum cantinho, guardado até que ela se visse sem resposta para as dores daquele que é seu pedaço mais precioso. Sim, nós mães temos o superpoder de acreditar que o tempo vai curar todas as cicatrizes. De que a dor de hoje vai passar e dias melhores virão. Somos capazes de chorar em silêncio, de sorrir mesmo com a alma em pedaços e de acordar sem ter sequer dormido. Filha, meu superpoder é conseguir não morrer de tanta dor por assistir seu sofrimento sem ter o remédio para curar suas feridas. Meu superpoder responde por “amor de mãe”!

 

Mãe, qual seu superpoder?

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Uma ideia sobre “Mãe, qual seu superpoder?

  • 11/06/2018 em 4:58 pm
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    Q texto lindo e verdadeiro! #amei

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