Brinquedos, luzes, sons, telinhas, jogos, tablets, desenhos, tapetes mágicos, paredes, tudo feito especialmente para estimular seu bebê. Afinal, você já fica tanto tempo longe, “equipar” o ambiente em que ele vai ficar com o máximo de estímulos possível é o mínimo que poderia fazer, certo?f2f2cd_cb2e49cf47df406ca813953dccc7f68b
Ou mesmo se fica junto com seu filho o dia todo, é perseguida por pensamentos do tipo: o tempo passa tão rápido, ele vai crescer tão depressa, por que não dar de tudo para que ele se desenvolva melhor. Afinal, ele é o que mais importa na sua vida, não é?
Mas, afinal, o que é verdade sobre a organização de um espaço ideal para bebês e crianças se desenvolverem?
Tudo começou com a interpretação mal direcionada de uma pesquisa feita com ratos de laboratórios que prova o poder que os vários estímulos têm para deixá-los mais inteligentes. Os ratos que ficavam em jaulas vazias e com pouquíssimos brinquedos foram colocados por semanas em espaços que lembravam uma Disney para pequenos animais: vários brinquedos, estímulos e atividades diferentes para fazerem durante o dia todo. Depois de algumas semanas, quando esses ratos voltavam para a jaula inicial, era possível provar que toda essa superexposição a vários estímulos resultou em ratos mais inteligentes.
Foi depois dessa descoberta que começou o boom dos brinquedos, e vários outros componentes “compráveis” para deixar o ambiente do bebê mais estimulante e o bolso dos pais com menos dinheiro.
Antes de tudo, é importante pensar que o ambiente em que vivemos é muito diferente de uma jaula vazia – que era o ambiente em que os ratos viviam no momento inicial da pesquisa. Uma casa de uma família comum já é riquíssima em estímulos variados e valiosos. Tampas de panela, tapetes, colheres, revistas, tudo isso é novo para o bebê.
Além disso, uma parte da pesquisa foi simplesmente ignorada por vários meios que a divulgaram, ou aparecia sempre em letrinhas bem pequenininhas no final: os ratos que ficavam semanas morando no ambiente super estimulado se tornaram mais inteligentes que os ratos que moravam na jaula vazia do laboratório. Maaaaaas, a pesquisa não termina aí: nenhum desses dois tipos de ratos ficava mais inteligente que aqueles que permaneciam em seu ambiente natural.
A conclusão que deveria ter sido destacada é a de que o ambiente natural é o lugar mais propício para o desenvolvimento – também das crianças. Não tem invenção que substituia o som da conversa entre os pais, ou entre os membros da família, o barulho e a sensação de tocar na  água  enquanto alguém lava a louça, ou a brincadeira de empilhar as almofadas do sofá para fazer uma cabana.
Seu bebê não precisa do último tablet ou do brinquedo educativo que acabou de ser lançado. Ele vai se desenvolver muito bem na sua casa, com o que tiver disponível. Desde que você descubra junto com ele e incentive que ele explore o ambiente. Converse muito com seu bebê. Conte histórias. Faça perguntas.
E não se culpe: não poder dar para ele algum lançamento do mercado não vai fazer dele mais ou menos inteligente ou feliz.
O ambiente ideal para bebês e crianças

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