Quanto mais nos envolvemos diretamente com crianças, adolescentes e adultos em seus momentos de estudos, mais confirmamos que o estrago pela falta de leitura é enorme.
Woman reading to her little girl, sitting on the floor
O contexto em que vivemos atualmente e a entrada cada vez mais intensa da tecnologia em nosso dia a dia tendem a tornar o hábito da leitura cada vez mais distantes de nossas crianças e adolescentes.
Cada vez mais as redes sociais que proporcionam a interação por mensagens rápidas e de texto reduzido ganham a adesão de adolescentes.
Mais que isso: redes sociais que permitem o compartilhamento de vídeos com tempo reduzido ao mínimo necessário para transmitir o que se passa naquele momento representam bem a tendência do rápido, curto, efêmero e instantâneo ao extremo.
E assim, nossas crianças e adolescentes vão usando cada vez menos a escrita para se comunicar. A sensação de que ler e escrever são palavras que pertencem somente à categoria “escola” – nascendo ali, porque o professor quer e morrendo na formatura porque o aluno sonha com isso – vai ficando mais forte na mente de nossos filhos.
Os prejuízos são enormes e para todos. Os pais perdem a paciência. Os professores perdem a energia. Os alunos perdem seu tempo e as oportunidades para o desenvolvimento de habilidades que farão muita falta ao longo da vida. E o país perde a esperança de um futuro melhor para seu povo!
De maneira alguma a tecnologia é a culpada. Ela é só um dos elementos de alto impacto no modelo de relação familiar que temos nos dias atuais. Além deste, há inúmeros outros fatores, como a relação que os pais têm com o trabalho, as diferenças na estrutura familiar e até mesmo o pouco respeito em relação aos profissionais da educação. Esse contexto acaba por formar uma realidade em que a leitura parece uma atividade pesada, demorada e cansativa.
Não há um culpado. Vivemos em um novo contexto familiar, com recursos magníficos que até pouco tempo não poderíamos imaginar. Podemos agora transmitir em tempo real o momento do parabéns em uma festa, os primeiros passos dos netos para os avós distantes, assistir a um acontecimento marcante não importa em que lugar do mundo esteja ocorrendo.
Por outro lado, abrimos mão de momentos em que a leitura preenchia um vazio. Como o tempo de ócio cada vez mais desaparece e o tédio ficou proibido de entrar na vida das crianças, a leitura como opção de lazer deixa de existir.
Há alguns anos, ler é a possibilidade de viajar, conhecer outros lugares, aprender sobre outras culturas, imaginar uma realidade diferente da sua. Hoje há outros recursos mais interativos e dinâmicos competindo para oferecer tudo isso. E quanto menos os jovens experimentam a sensação de fazer sua própria viagem, para a cultura que ele imaginar, sem que tudo tenha sido criado por outra pessoa, sem deixar margem para a mente divagar, criar uma realidade única, menos isso faz falta. Simplesmente porque não é possível sentir falta daquilo que você nunca experimentou.
O grande problema é que a diversão era a porta de entrada, mas não o objetivo maior e final da leitura.
Como a leitura está cada vez mais associada a algo que a escola mandou, ou que o professor obrigou e que vai cair na prova, de imediato, antes mesmo de começar a ler, a tendência é não gostar.
Ao não conseguir as notas necessárias, reforça-se o círculo vicioso: “tudo por culpa daquele livro que não li!”. Ou pior, muito pior: baixo desempenho escolar geral por  falta de habilidade de leitura sem a mínima consciência de que ler não pertence à categoria escola, muito menos língua portuguesa ou literatura!
Vamos à dica para quem tem o poder de alterar o curso dessa história – sim, você, responsável!
O gosto pela leitura precisa ser desenvolvido ainda na infância. Leia para seu filho. Leia com seu filho. Peça que seu filho leia para você. Sentem-se juntos em momentos totalmente dedicados à leitura, cada qual com seu próprio livro.
Tudo bem se você não conseguir que seu filho goste de ler. De fato isso é com ele: gostar ou não vai depender de vários fatores aos quais os pais podem não ter acesso. É uma questão, muitas vezes, pessoal.
Deixe então que seu filho desenvolva o gosto pela leitura. Você, responsável, mantenha o foco naquilo em que pode influenciar: o hábito!
Como a leitura já não é parte integrante de nossa rotina como no passado, será sempre necessário que os pais guiem seus filhos até que desenvolvam habilidade e assimilem a leitura como parte de suas vidas.
Se você acabou de pensar: “ah, isso porque você não conhece meu filho. Não tem como eu fazer com que ele pegue um livro para ler..” temos uma sugestão.
Troque, em usa mente, a imagem do livro pela escova de dentes. Pense no hábito que precisou ser desenvolvido com seu acompanhamento ao longo de anos a fim. Lembre-se de como você persistiu até que seu filho estivesse pronto para assumir sozinho a responsabilidade de escovar os dentes.
Por que você insistiu, apesar de todas as reclamações, do cansaço, da pressa? Por um motivo muito forte: você tem plena consciência da importância deste hábito para a saúde de seu filho.
Pois bem, assim é também a leitura. Talvez seja até mesmo um tanto mais séria a questão. Não há um profissional especializado em cobrir com massinha os buracos que a falta da leitura vai gerar. Não existem clínicas especializadas em implantes de criatividade, capacidade de estímulo à imaginação, geração de conhecimento, enriquecimento de vocabulário, melhora da capacidade da memória, desenvolvimento de pensamento crítico e capacidade de análise, foco e concentração.  Ou seu filho lê e recebe em troca essas competências, ou vai apanhar ao longo da vida, pois ninguém poderá implantar essas habilidades por e para ele.
Alguma dúvida de que vale a pena acrescentar ao seu dia a dia, além da cobrança “já escovou os dentes? “ também um incansável “já leu hoje?”

O gosto pela leitura depende de seu filho. O hábito depende de você, pai!

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