Você sabe o que é a Base Nacional Comum Curricular – BNCC? Sabe como o processo de aprendizagem de seu filho será impactado por ela?

A BNCC determina os conhecimentos essenciais que todos os alunos da Educação Básica têm o direito de aprender. A partir desse documento, as redes de ensino e escolas vão elaborar o currículo e os professores os planos de aula para suas turmas.

Para entender melhor a importância da BNCC para a educação no Brasil, imagine que cada escola seja um restaurante que oferece as refeições que deveriam garantir o crescimento saudável e pleno de seu filho.

Nada mais justo do que ter uma definição por parte do governo de que ingredientes e nutrientes básicos para o desenvolvimento de cada aluno deve estar presente em cada refeição. E, garantido o mínimo para que a saúde e desenvolvimento físico e intelectual estejam presentes, cada “refeitório” pode e deve personalizar a comida de acordo com gostos e cultura local. É esse o objetivo da BNCC, só que ao invés do alimento para o corpo, seu foco é o alimento para o desenvolvimento cognitivo de cada aluno.

O que acontece hoje é que cada escola ou rede de ensino define que conteúdo ensinar em qual momento. Não há garantia de que todos os alunos estejam aprendendo o mínimo necessário para seu desenvolvimento em cada ano escolar. A partir da implementação da Base Nacional Comum Curricular, o sistema educacional deve ficar mais justo para com os cidadãos brasileiros. Além disso, há um grande foco em desenvolver competências e não somente aprender ou decorar conteúdos. E aí entra seu papel, pai ou responsável: sua participação nesse processo é fundamental.

Acompanhe na escola do seu filho o processo de implantação da BNCC. Pergunte, participe, dê opinião. E aqui, no SOS Educação vamos postar uma série de dicas e sugestões de como você pode fazer em casa, na rotina da família, a diferença para que seu filho se desenvolva de forma plena e aproveite melhor o que a escola oferecer. As competências propostas pela BNCC somente serão plenamente desenvolvidas se a família fizer sua parte, dentro de casa, junto de seus filhos!

                  

3 habilidades do “mundo analógico” que seu filho precisa para aprender

Apesar de toda contribuição da tecnologia para melhorar a relação que o aluno tem com os estudos, um conjunto de habilidades básicas continua a ser essencial para o aprendizado acontecer. Listamos 3 habilidades que são fundamentais para o cérebro conseguir aprender o conteúdo formal da escola, mas que são cada vez menos exercitadas e desenvolvidas no dia a dia da família.

1. Paciência: A paciência que seu filho desenvolve dentro de casa o tornará um aluno mais atento na escola, um amigo que respeita as diferenças e um ser humano capaz de se dar o tempo necessário para refletir sobre o que vê, ouve e lê! Além disso, a criança que desenvolve a habilidade da paciência consegue entender que não há soluções para os problemas reais do dia a dia que sejam alcançadas com um clique, como acontece no mundo digital. Para ensinar seu filho a exercitar a paciência você precisa ser o modelo, dentro de casa e no convívio social. Além disso, é preciso envolver seu filho em atividades que beneficiam a todos da família, como ajudar a fazer as compras no supermercado, passar na farmácia ou na lavanderia no caminho de volta para casa .  

 

2. Persistência: No processo de aprendizagem formal não há uma tecla que possa ser pressionada para que tudo seja automaticamente configurado ao gosto e desejo do aluno. A menos que os pais ensinem a criança a lidar com essa realidade, a relação com a aprendizagem será sempre negativa, prejudicando o resultado ao longo da vida do aluno.Uma dica simples para que seu filho desenvolva essa habilidade é incluir na rotina, desde muito cedo, quebra-cabeças e jogos de tabuleiro. Tenha momentos em casa em que todos os eletrônicos estejam desligados e monte com ele os brinquedos. Algumas vezes, termine primeiro. Brinque de jogo da memória. Vença algumas vezes, deixe que ele ganhe outras. A capacidade de enfrentar os desafios da aprendizagem será fortalecida!

3. Foco e concentração: A capacidade de foco e concentração é desenvolvida quando a criança brinca com uma coisa de cada vez  ou quando ouve a fala dos pais, sem interferência de outros aparelhos ligados simultaneamente. Pesquisas comprovam que alguns desenhos animados literalmente roubam a capacidade de foco de uma criança. Fazer diversas atividades simultaneamente também acarreta dificuldade em focar no momento do aprendizado formal. O caminho para a escola ou passeio é um exemplo de momento em que a capacidade de concentração pode ser aprendida e praticada. Que tal conversar com seu filho sobre o que vocês veem ao redor, sobre as condições do tempo, pessoas, carros, cor dos prédios? Além de relaxar de toda a correria e estresse, você ajudará seu filho a ampliar a capacidade de foco e concentração e os benefícios ficarão por toda a vida!

                     

Mãe, qual seu superpoder?

Li em algum lugar que nós, mães, temos superpoderes. Sinto uma certa saudade de quando acreditei que realmente meus superpoderes de mãe eram capazes de salvar minha filha de todos os males da vida.

Nós, mães, passamos a vida toda oscilando entre a ânsia de proteger e a angústia de consolar nossos filhos. E assim vamos colocando o coração à prova o tempo todo, sem descanso.

Nunca conseguimos curtir totalmente os dias de festa. Nos dias em que podemos sorrir com as conquistas e alegrias de um filho, o coração aperta com o desejo de poder eternizar aquele momento. É sempre hora de fazer uma pequena oração, seja qual for a crença, pedindo que o “feliz para sempre” se torne realidade ali mesmo. Um dia alguma mãe ainda vai inventar um botão de pausa no mundo, só para manter o filho sorrindo por mais tempo.

E vêm os dias ruins. Quando ainda temos um bebê nos braços, sofremos com as cólicas, dores de ouvido, com as quedas que inevitavelmente acompanham os primeiros passos. Depois choramos porque ficaram tranquilos demais na escola ou porque os deixamos aos prantos com a professora. Mas o tempo voa. Sem o controle de pausa, lá vão as crianças insistindo em crescer e, proporcionalmente, aumenta o impacto de cada dor no coração de uma mãe. Não demora e percebemos que havia consolo em toda e qualquer doença para a qual pudemos dar um remédio. Apesar do desespero em medir a febre, sabíamos que depois do medicamento, ela ia baixar. Apesar do susto, sabíamos que o gesso curaria a trinca no braço. Apesar da angústia, sabíamos que o antibiótico curaria a dor de garganta.

De repente a gente pisca os olhos e ali, bem diante da mãe que pensava já saber todas as respostas, vem o mundo e muda todas as perguntas.

E agora, mãe: que remédio cura a dor do amor não correspondido? Em qual farmácia encontro um xarope para amenizar o sofrimento de uma grande decepção com pessoas que por anos foram o símbolo de respeito e dignidade?

Com a alma estraçalhada por sua total incapacidade de curar as dores da alma de um filho, a mãe finalmente entende qual o poder maior de todos. Um poder que a ela foi concedido no exato momento em que olhou para sua cria pela primeira vez. Um poder que ficou ali, em algum cantinho, guardado até que ela se visse sem resposta para as dores daquele que é seu pedaço mais precioso. Sim, nós mães temos o superpoder de acreditar que o tempo vai curar todas as cicatrizes. De que a dor de hoje vai passar e dias melhores virão. Somos capazes de chorar em silêncio, de sorrir mesmo com a alma em pedaços e de acordar sem ter sequer dormido. Filha, meu superpoder é conseguir não morrer de tanta dor por assistir seu sofrimento sem ter o remédio para curar suas feridas. Meu superpoder responde por “amor de mãe”!

 

É justo ensinar seu filho a acreditar somente no bem?

Será que é justo criar um filho para que acredite totalmente no bem e no amor, mesmo sabendo que o mundo é muitas vezes cruel?

Por outro lado, preparar um filho para sempre esperar o pior do próximo e ficar sempre em alerta, pronto a se defender, só trará prejuízos para seu crescimento emocional.

A vida me ensinou que não existe fórmula mágica. O desafio é criar pessoas felizes, que acreditam no bem, mas sabem se defender quando o mal surgir. Nos sustos que a vida trouxer, seu filho terá que decidir sozinho que caminho seguir. Em situações de maior sufoco, não terá como esperar a volta para casa e o pedido de socorro para os pais. Em algumas situações, o filho vem em busca de apoio, mas o pai se foi. A única saída para nós, pais, é garantir que nossos filhos estejam confiantes sobre sua capacidade de fazer escolhas. E se perceberem que talvez aquela não tenha sido a melhor opção, que estejam prontos a mudar, sem orgulho ou medo. Precisamos ajudar para que nosso filhos sejam flexíveis o suficiente para absorver as pancadas que a vida trouxer e capazes de construir um novo começo sempre que desejarem um final diferente. A única certeza que podemos ter como pais é de que a realidade da vida baterá às portas do nosso filho e nós não poderemos resolver tudo por eles. A vida passa, eles crescem. Pessoas vão embora e eles terão que lidar com o abandono e aprender a sair da solidão. Acompanhar a dor de um filho cujo pai decidiu que ele não faz falta é de cortar a alma de uma mãe. Assistir a dor de um coração que precisa aprender a “desamar” seu primeiro amor é devastador. Ver o fim da uma amizade machuca demais. Sim, eles crescem e o mundo real os alcança, não importa o quanto você tente proteger seu filho.

Nesse momento, seu coração de mãe percebe que fez a escolha certa: é justo sim educar um filho para que acredite no bem e no amor. Seu conceito de felicidade muda totalmente. Ser feliz é perceber que seu filho continua a nadar, apesar de tudo, e segura sua mão de mãe – para sua surpresa, não porque precisa ser guiado, mas para mostrar a você que ali na frente há todo um horizonte de novas experiências a serem vividas.

                    

Que tipo de elogio colabora para um bom desempenho escolar

A forma como os pais elogiam os filhos na faixa etária de 1 a 4 anos tem um impacto enorme no desempenho escolar futuro.

Na correria do dia a dia, a tendência é olhar rapidamente o resultado do que a criança fez e elogiar o produto final. Mesmo durante as refeições ou na montagem de um brinquedo, raramente os pais estão concentrados somente no passo a passo que a criança seguiu para atingir o resultado final. E no processo está exatamente o ponto mais valioso a ser incentivado.

Tirar alguns minutos para curtir esses momentos traz enormes benefícios para a vida escolar da criança no futuro. Mais que isso, acaba sendo a oportunidade de ensinar pelo exemplo: ter o pai concentrado em observar o filho brincando é a melhor maneira para aprender a focar. O ganho é também do responsável, que sente o tamanho do desafio que é deixar de lado qualquer distração e se concentrar em apenas uma atividade, mesmo que por espaço curto de tempo.

Incentivar a nova tentativa, participar ativamente do momento e demonstrar o quanto esses momentos são valiosos fazem toda a diferença no desenvolvimento de uma criança segura e capaz de lidar com os desafios que enfrentará ao longo de sua vida como aluno mais tarde.

Crianças que recebem elogio pelo processo e não pelo resultado apresentam melhores resultados na escola entre a primeira e a quarta série do ensino fundamental. Quando os pais demonstram admiração pela dedicação que o filho colocou na resolução de problemas e conclusão de atividades do dia a dia, a criança assimila que é capaz de vencer os desafios que a aprendizagem apresenta a cada etapa. A consequência é um ótimo relacionamento com os estudos e bom desempenho escolar. Que tal trocar o “ficou lindo seu desenho” por “estou orgulhosa do seu esforço!”?