Ser alfabetizado mais cedo representa vantagem para a criança?

Preocupados com o futuro dos filhos, muitos pais saem em busca de uma escola que se comprometa em alfabetizar o aluno desde o início da educação infantil.

E, na expectativa de ajudar para que a promessa se cumpra, lá vai toda a família cobrar do filho, da professora e da escola a leitura e a escrita quando isso ainda não vai gerar impacto positivo algum na vida da criança.

Alguns pais menos ansiosos gostariam que seus filhos tivessem mais tempo para aproveitar a infância, mas sentem-se inseguros quando encontram outras crianças de idade semelhante já aprendendo a ler e escrever. E aí vem o receio de estarem deixando seus filhos em desvantagem.

A realidade é que estamos correndo demais. Apressados demais. Receosos de tudo, inseguros com relação até mesmo a aspectos simples da vida. E assim vamos tentando encontrar respostas que não estão em livro algum, em manual nenhum, mas bem ali na nossa frente: na convivência com nossas crianças.

Tentando falar um pouco e esclarecer algumas dúvidas sobre o dilema de muitos pais em relação à escola dos filhos na educação infantil, gravamos um vídeo a partir da dúvida que recebemos de uma mãe.

Esperamos poder ajudar, colocando luz em alguns pontos que podem estar gerando ansiedade em você, pai, mãe ou responsável por uma criança ainda não alfabetizada.

Como e porque esvaziar a mente antes de estudar

Você sabia que para seu filho resolver um problema, entender um texto ou desenvolver um raciocínio é essencial que no cérebro estejam presentes 3 fatores?

O aprendizado ocorre quando o novo conhecimento se mistura a algum conhecimento prévio que seu filho já tenha guardado. Essa mistura acontece no espaço da memória operacional. Assim como em uma tigela cheia que não conseguimos misturar os ingredientes, se ele tiver pouco espaço disponível nessa memória, a mistura dificilmente vai ser feita e o aprendizado não ocorrerá.

Devido ao ritmo de vida tão corrido que levamos hoje e também ao excesso de tempo de exposição a redes sociais e televisão, estamos sempre com a cabeça repleta de informações e preocupação em relação aos próximos acontecimentos ou compromissos.

Hoje, trouxemos uma dica de como ajudar seu filho a esvaziar o espaço da memória necessário para que o aprendizado possa ocorrer de forma tranquila.

 Esvaziando a memória de curto prazo: antes de ir para a cama dormir, faça junto com seu filho uma lista das atividades que ele terá no dia seguinte. Deixe que ele acrescente tudo que considera atividade importante.

Isso libera a memória de curto prazo. Essa lista deve ser feita também antes do início de atividades que exigem concentração. Uma boa oportunidade para criar o hábito da lista é fazê-la antes de alguma atividade que exija concentração e foco.

Lembre-se de que devem fazer a lista das matérias a estudar, compromissos do dia seguinte e tudo o que vier à mente como pendência, antes de iniciar o dever de casa.

Esse hábito que parece bastante simples de ser colocado em prática ajudará para que seu filho tenha a memória de curto prazo plena de espaço para fazer as combinações e misturas necessárias para que as atividades escolares – seja a tarefa ou estudo para uma prova – rendam de maneira a não gerar cansaço nem falta de concentração. Que tal experimentar você também essa dica?

Escrever mal é um sintoma, veja 4 dicas para combater a causa!

Para escrever melhor, tudo que seu filho precisa é ler com frequência. O grande problema é que desenvolver o hábito e gosto pela leitura parece ser um desafio ainda maior do que escrever bem. E aí se forma o círculo vicioso da criança que escreve pouco, cresce, torna-se o adolescente que escreve mal, o qual, por sua vez, transforma-se no adulto que odeia escrever. 

Então, hoje trouxemos algumas dicas para que você possa trabalhar na causa (falta de leitura) e não no sintoma (escrever mal) deste problema.

1. A grande sacada é ir por partes: primeiro ajudar a desenvolver o gosto pela leitura. Depois vem o momento de se preocupar em introduzir clássicos da literatura e ajudar a selecionar leitura com finalidades mais específicas, como vestibular, Enem ou concursos.

2. Para desenvolver o gosto pela leitura, ofereça e torne sempre disponível material relacionado a áreas que já sejam de interesse de seu filho. Não adianta, seja qual for a idade, querer que seu filho leia sobre assuntos que parecem interessantes para você, ou sobre os quais você gostaria que ele lesse.

Na prática, você precisa escolher um tema que seja de alto interesse de seu filho. Atenção: eu disse de interesse de seu filho, não seu. O objetivo não é julgar se esse assunto dará ou não a ele um bom futuro – mesmo porque não temos como prever isso. Nessa etapa, não vale julgar. O foco é: desenvolver o gosto pela leitura.

Um gosto, seja qual for, seu filho já tem. Pode ser que você tenha horror ao assunto. Mas não é isso que interessa agora. Exemplo: dinossauros. Muitos meninos fazem coleções de dinossauros e brincam horas com seus bichinhos. Pois é esse o caminho para essa criança: além dos “bonecos”, compre livros sobre dinossauros. Inicie com ele uma coleção de materiais impressos.  O material pode até ser adquirido em bancas de revistas usadas ou em sebos.

No caso de adolescentes, o processo é o mesmo. Já tivemos o caso de um adolescente cuja mãe nos disse: mas ele não se interessa por nada. Em uma conversa de poucos minutos, pudemos perceber que ele se interessava por records e o Livro dos Records foi a porta de abertura. Coisas que podem parecer bobas, mas que para ele eram interessantes. Então começamos com um livro com listas de records mundiais. Ele hoje devora livros sobre outros assuntos.

3. Se você conseguir que seu filho leia uma revista, é um excelente começo.

Mas atenção: não perca a oportunidade da transição. Assim que seu filho estiver habituado la ler o material de interesse dele, é hora de acrescentar, aos poucos: além da revista semanal, defina momentos da rotina da casa para que ele leia um livro adequado para a idade dele. Enquanto isso, os outros membros da família também leem!

4. E a dica principal: se você tirar alguns minutos na semana e puder também ler o material que seu filho está lendo, bastará um comentário intrigante para que ele se interesse ainda mais por ter argumentos para contradizer você. E lá vai ele devorar o material sem nem sequer perceber que está dando os primeiros passos para ser não somente um leitor assíduo e seletivo. Mais que isso, aos poucos sua escrita se tornará melhor em termos gramaticais e também mais rica em vocabulário e criatividade.

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Você já parou para pensar o quanto a leitura e a escrita viraram a última opção em meio a tantos vídeos e áudios em nossa rotina?
Essa mudança de hábitos se reflete no alto índice de crianças com dificuldade na fase de alfabetização.
A percepção, ainda que inconsciente, de que ler e escrever não fazem parte da vida dos pais impacta de forma negativa a fase de alfabetização dos filhos e a relação que eles têm com a leitura.
Na ausência do maior poder de influenciar os filhos que os pais possuem, que é dar o exemplo, as crianças não sentem a necessidade desse aprendizado. A consequência é relacionar a leitura e escrita somente com a escola, como se ler e escrever tivesse como único fim o aprendizado de conteúdos cada vez mais complexos!

No vídeo demos 2 dicas práticas e simples para você inserir na rotina da casa e colaborar para a fase de alfabetização de seu filho. É só clicar no play para assistir:

3 coisas que só os pais podem fazer

Foi-se o tempo em que a palavra terceirização se limitava ao mundo empresarial.

No mundo dos negócios, terceirização é uma prática que permite que uma empresa contrate outra empresa para cuidar de algumas atividades não consistem no negócio principal da contratante, de forma que ela possa focar toda a energia e tempo para cuidar daquilo que se propôs a fazer.

Você pode estar pensando, tá bom… mas o que isso tem a ver com as famílias? O fato é que, por algumas características do estilo de vida em que vivemos hoje, como a falta de tempo, o excesso de trabalho, algo muito parecido com a terceirização tem invadido também a vida das famílias.

Contratar pessoas ou empresas para auxiliar nos cuidados e na educação dos filhos acaba sendo a solução encontrada por muitos pais. A questão é: até que ponto essa ajuda externa não causa danos para a relação que a criança vai ter com os estudos e com a vida em geral?

Vemos pais se desdobrando para dar conta de afazeres em que uma ajudinha extra seria benéfica para eles e para o próprio filho. E, por outro lado, existem diversas ações simples que os pais estão deixando de praticar e que têm um impacto relevante no desenvolvimento e na relação que o filho terá com os estudos.