Um desafio de férias para os filhos que não saem do celular, muitos benefícios para a aprendizagem!

Um problema gerado pelo excesso de tempo que nossas crianças passam de frente a uma tela – seja TV, laptop, tablete ou celular – é a dificuldade de concentração no momento dos estudos.

Ao invés de tentar cortar o acesso à tecnologia, sugerimos que você passe a usá-la como inspiração para que seu filho possa exercitar todos os sentidos e desenvolver a coordenação motora necessária para aprender a escrever, fazer cálculos, resolver problemas.

É comum encontrar jogos infantis no celular ou tablete de pais ou responsáveis por crianças. Geralmente este é o recurso que mantém as crianças distraídas e quietas em situações de espera ou quando os pais precisam de silêncio. Até aí, nada prejudicial.

O grande problema é que muitas crianças passam tempo demais brincando somente no mundo virtual. Experimente perguntar a uma criança do que ela mais gosta de brincar. A resposta da maioria envolverá as palavras celular, joguinho, computador. De novo, sem problema, desde que esta seja um opção e não a única forma que a criança experimenta como opção para brincar.

Alguns pais dizem que não adianta, porque o filho prefere mesmo os joguinhos. O problema é que a criança está perdendo oportunidade para desenvolver coordenação motora fina, quando usa somente um ou dois dedos para completar seus desafios. Além disso, nos jogos eletrônicos, o desafio dela é sempre arrastar ou selecionar. O restante o software está programado para fazer sozinho. E aí está a fonte que gera falta de concentração, de persistência, de tentativa e erro para aprender.

A dica é deixar que seu filho use tais joguinhos em momentos nos quais realmente você e ele precisam de algum tempo para se concentrar separadamente em alguma tarefa, porém com tempo determinado.

Passado esse tempo, já em casa, quando seu filho pedir para jogar novamente, você diz que ele poderá ter mais algum tempo com seu celular depois que ele tiver recriado a brincadeira com materiais que você deixar disponíveis.

Como exemplo, se o joguinho favorito de sua filha for um daqueles em que ela escolhe a roupa e veste a boneca, ofereça papel, canetinha, lápis de cor e tesoura sem ponta para que ela crie as roupas que poderão vestir uma boneca que ela já tenha ou você poderá ajudá-la a criar também a boneca, com papelão ou usando o fundo de uma caixa de sapatos.
Agora ficará o desafio de como fazer a roupa ficar na boneca. Ela pode sugerir usar fita dupla face ou você pode ajudar, mostrando como deixar abas que possam ser dobradas para prender a roupa no corpo da boneca pelos ombros e pernas.

Ao criar a mesma brincadeira no mundo real, com objetos concretos, seu filho desenvolverá coordenação motora, concentração, foco, criatividade, habilidades para lidar com a frustração, aprenderá com a tentativa e erro. Todas essas habilidades tornarão sua vida de estudante muito mais prazerosa e suave. Vocês terão assim, chances de aproveitar o melhor dos dois mundos: o real e o virtual.

3 dicas para envolver seu filho na compra do material escolar

Hora de comprar o material escolar. Ao invés de entrar em pânico, que tal aproveitar a oportunidade para ajudar seu filho a tirar algumas lições positivas desse momento?
Em geral, os pais optam por deixar os filhos em casa, na tentativa de garantir um gasto menor na compra do material escolar. O pressuposto é que, o filho não estando junto, fica mais fácil escolher os materiais de menor preço.
Sugerimos uma atitude diferente, que vai trazer benefícios a todos: envolver seu filho e propor que este desafio seja de toda a família e não uma árdua tarefa para os pais.
Ao envolver o filho em todo o processo, desde o conhecimento do quanto a família tem disponível para gastar até a pesquisa de preços e compra do material você o ajuda com os seguintes benefícios:
  • Melhora da auto estima – ao sentir que você confia na capacidade de compreensão e participação de seu filho em todo o processo, ele cria uma imagem melhor de si próprio e se prepara para desafios de aprendizagem que enfrentará durante o ano letivo;
  • Senso de responsabilidade – ao ter que escolher entre modelos de mochila, caderno ou canetas disponíveis, considerando primeiro se estão dentro do orçamento, a criança ou adolescente assume a responsabilidade por cuidar melhor do material. A forma como o material será utilizado e preservado, assim como a relação com questões financeiras apresentam melhora e a criança amadurece.
  • Incentivo à criatividade – essa é uma excelente oportunidade para deixar que a imaginação entre em ação. Proponha um orçamento e deixe que seu filho quebre a cabeça para otimizar o que tem disponível. Por exemplo, ao reciclar materiais do ano anterior, ele abre possibilidade para menor restrição de preço na escolha de menos material a ser comprado. Algumas possibilidades para reaproveitar material são encapar com papel diferente cadernos que ainda possuem folhas a serem utilizadas, trocar com amigos ou primos as mochilas, de forma que cada um comece o ano letivo com uma bolsa diferente, apontar e organizar lápis de cor pouco utilizados etc.
  • Enriquecimento da memória de longo prazo – ao participar de uma experiência nova, cumprir as etapas de todo o processo da compra, chegar em casa e organizar o material, seu filho fará novas conexões que ajudarão no aprendizado ao longo do ano letivo. Para que a experiência seja ainda mais impactante, vale deixar que ele passe o material no caixa e efetue o pagamento também.
O único cuidado é adequar o grau de envolvimento de acordo com a idade e maturidade de seu filho. A pergunta frequente é sempre a idade a partir da qual a criança estaria pronta para compartilhar com os pais este momento. E a resposta é simples: se a criança já sabe escolher o lápis predileto, a imagem do personagem na capa do caderno ou o tipo de mochila, ela está pronta para escolher entre duas opções oferecidas pelos pais.
Na prática isso significa que no caso de crianças ainda pequenas, você, responsável, faz a pesquisa e deixa que seu filho escolha entre duas opções que estão dentro do orçamento previsto. E aproveite a oportunidade de explicar: essas duas mochilas estão no preço que podemos pagar. Qual delas você escolhe?
Para fechar com chave de ouro, de forma que a experiência seja aproveitada ao máximo e tenha efeito duradouro, não se esqueça de elogiar a participação que seu filho teve na manutenção do orçamento da família!