Sou capaz de apostar que você já disse isso tantas vezes que perdeu a conta!
E dobro a aposta na certeza de que seu filho ou filha continua não prestando atenção ao que você gostaria que prestasse.f2f2cd_0643940ea45b4595a0e605d529581c45-mv2
Antes de considerar que seu filho pode ter algum distúrbio de atenção, vamos à realidade do que está acontecendo com a capacidade de atenção de nossas crianças e adolescentes.
Não é que seu filho não se importe com nada daquilo que você considera ou sabe ser importante. Essa é a boa notícia. Pronta para a má notícia? Ok. Pausa para você respirar fundo e sentar antes de ler.
Vamos lá então: seu filho não vai prestar atenção porque você está pedindo que ele faça isso. Simplesmente porque nossos jovens não sabem como prestar atenção. Essa é uma habilidade que precisa ser aprendida em alguns momentos da vida em família para que possa ser aplicada depois no momento da tarefa e dos estudos.
O contexto em que vivemos hoje, com a rotina corrida e mais a superexposição a tantas informações chegando por todos os lados, acaba por roubar das famílias os preciosos momentos em que essa habilidade seria desenvolvida. Resultado:  distração na hora da tarefa, os bilhetes da escola relatando a falta de atenção na aula e o estresse na época das provas!
E tem solução? Sim, tem! E o melhor remédio está em casa, na rotina da casa. Embora o processo vá requerer um esforço inicial por parte de todos os membros da família, podemos garantir que eis aqui um investimento de tempo que se paga, com altos juros!
Simplificando para ser mais didática, nosso cérebro é capaz de processar dois tipos de atenção. Uma é a que vem pronta desde o nascimento, responsável por nos ajudar a garantir a sobrevivência, fugindo de qualquer perigo iminente. Por isso é normal que qualquer pessoa, não importa a idade, desvie a atenção diante de mudanças bruscas no ambiente, como um barulho inesperado ou alterações na iluminação, por exemplo.
Fica então aí uma dica para atrair a atenção de seus filhos em situações que normalmente você passaria horas chamando ou tentando interromper uma briga ou birra. Experimente apagar e reacender a luz. Ou derrubar um objeto que produz barulho. Imediatamente a atenção se voltará para você!
Infelizmente esse truque não serve para o momento da tarefa. Esse tipo de distração o suficiente para mudar o foco da atenção. No momento da tarefa, da aula na escola, da leitura de um livro ou dos estudos para as provas, seu filho precisa da atenção prolongada, a qual podemos chamar de foco ou concentração.
A capacidade de manter atenção por tempo prolongado precisa ser aprendida.
Quando nós, adultos de hoje, éramos crianças, desenvolvíamos essa habilidade na própria rotina em família. As distrações eram menos intensas ou mais distantes no tempo e no espaço. A programação da televisão era dividida em faixas de horário. Não era possível escolher assistir ao programa preferido no seu horário disponível. Havia menos acesso a vídeos. Para se obter uma informação, a leitura era o meio disponível. Todos executavam menos atividades ao longo do dia, já que o processo era mais lento. O simples fato de acompanhar sua mãe ao longo de um dia dentro de casa já era um exercício de atenção mais prolongada. Lavar a roupa levava tempo. Cozinhar tomava mais tempo. Sem tanta tecnologia, nossa atenção era necessária por períodos maiores em um mesmo foco. E assim praticávamos essa habilidade sem perceber que era um aprendizado.
Hoje em dia tudo é muito rápido, personalizável, instantâneo. E perdemos os preciosos momentos em que nossos filhos poderiam desenvolver a habilidade de atenção prolongada.
Deixamos então algumas dicas para ajudar seu filho a praticar essa habilidade, para que possa usá-la nos estudos e em outras diversas situações da vida em que a atenção é necessária:
  • Fazer passeios em que haja contato com a natureza, sem levar brinquedos;
  • Assistir a episódios completos de seus desenhos prediletos;
  • Ajudar a preparar alguma refeição para toda a família pelo menos nos finais de semana;
  • Arrumar brinquedos, livros, armários e gavetas junto com os pais;
  • Conversar sobre lojas, pessoas, pontos turísticos que estejam no caminho entre a casa e a escola, casa dos avós ou outros lugares que fazem parte da rotina da família;
  • Estabelecer a hora da leitura dentro de casa – começando com uma ou duas vezes por semana, 30 minutos em que todos estejam focados em ler – sem interferência de tv ou celular.
Aos poucos, prestar atenção na hora da tarefa torna-se algo possível e natural, sem estresse.
Que tal prestar atenção pequenas mudanças na rotina da família que podem impactar para melhor a rotina de todos?

Presta atenção, menino!!!

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