Enquanto caminhamos para a reta final do primeiro semestre letivo, a expectativa dos pais é de que seus filhos já estejam tranquilos em relação à adaptação na escola.
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Para o susto e angústia de muitos, porém, isso não corresponde à realidade. Temos recebido muitos pedidos de ajuda de mães que, assustadas com o pedido dos filhos para mudar de escola, acabam por se ver em um dilema.
São tantas questões envolvidas na situação que é preciso primeiro parar, respirar fundo e tentar entender o que há por trás da insatisfação do filho com o colégio que frequenta neste momento – se é que o foco está na escola atual. Mais que isso, o que a criança ou adolescente espera deixar no passado ao mudar para uma nova escola.
A grande angústia dos pais tem motivos variados. Na tentativa de prevenir todo e qualquer problema, desde a logística da ida e volta da escola, que a essa altura já está organizada, até questões de aspecto mais técnico, como a proposta pedagógica que foi cuidadosamente pesquisada até que a atual escola fosse a escolhida.
Em todos os casos que atendemos até o momento, os alunos estão na faixa etária entre a pré-adolescência e adolescência.  Isso significa que são plenamente capazes de argumentar, ainda que, em alguns casos, não tenham total clareza dos motivos que os levam a querer mudar.
Nosso conselho para os pais é não tentar dissuadir o filho da ideia antes que ele próprio tenha entendido o que gerou esse desejo de sair. E aqui entra um ponto interessante a ser observado pelos pais: seu filho quer sair da escola em que está ou quer ir para uma outra escola?
Geralmente os pais levam um susto com esta pergunta, formulada propositalmente assim. Há uma diferença, mesmo que sutil: se o foco do aluno é deixar a escola atual, o próximo passo é entender o que está causando o incômodo, mas já sabemos onde está: de alguma forma, está dentro da própria escola.
No caso do foco ser em ir para determinado colégio, há algum atrativo a ser identificado lá fora. Grande chance de não haver problema algum na relação do aluno com a escola ou com os colegas e professores de onde ele estuda atualmente.
Como desvendar esse mistério? Começando por mudar a tendência de cortar o assunto e passando a prolongar a conversa sobre isso, como sendo um assunto que não assusta. Você precisará ajudar seu filho a encontrar as respostas.
Uma dica é você perguntar para que outra escola ele gostaria de ir. Sem qualquer reação de aprovação ou reprovação pela resposta, esteja pronta para oferecer uma outra opção, diferente da resposta que ouviu. Na prática, significa que ao ouvir seu filho dizer que gostaria de ir para a escola X, você calmamente responde que para esta escola seria complicado por vários fatores, mas que para a escola Y você acha que talvez fosse viável a mudança. Lembre-se de que você está somente procurando entender a causa do pedido para mudar.
Caso ele insista na opção X, sugerida por ele mesmo, não aceitando nem considerar a hipótese que você colocou, provavelmente não há problema algum entre ele e a escola atual,  mas há algo que o atrai para outro lugar. Neste caso, fica mais fácil você tentar convencê-lo a ficar, sem o risco de gerar traumas ou prejuízo para a aprendizagem.
Se ele concordar facilmente com a opção que você ofereceu, seja qual for o motivo que ele deu para o pedido de mudar de escola, ele de fato está infeliz no colégio atual. Tão infeliz que aceita uma opção que nem havia considerado, desde que consiga convencer você, responsável, da mudança.
E aqui está um caso em que vale a pena investir mais tempo e ajudar para que ele encontre outra escola onde possa sentir-se bem.
Por mais angustiante que possa parecer para os pais, seja pelas questões de logística que já mencionamos ou porque a proposta pedagógica da escola é tudo aquilo com que você sonhou para seu filho, é chegado o momento de ouvir e aceitar que os anseios dele são diferentes dos seus. Não há certo ou errado quando se comparam propostas pedagógicas diferentes. Há sempre alguns pontos que são colocados em posição diferente na hierarquia de importância. A adaptação a uma ou outra proposta é fundamental para que o aluno possa ter uma relação positiva com os estudos.
A dica coringa para ambos os casos: divida com seu filho a responsabilidade por fazer a decisão final que tomarem dar certo. Peça que ele faça um plano com metas para notas e com ações necessárias para atingir a meta.
Diante do plano, há duas possibilidades: a primeira é a situação ideal. Se a escola para qual ele deseja ir permitir um período de adaptação, é a oportunidade para confirmar a decisão.
No caso da escola não permitir, o combinado deve ser que se ele for, tem que ficar até o final do ano letivo, mesmo que se decepcione com a realidade que encontrar.
E por que somos sempre a favor da mudança quando o pedido vem do aluno? Por um fator fundamental na aprendizagem, comprovado por pesquisas recentes: o aluno que estuda em um ambiente em que sente um envolvimento social de laços fortes e positivos apresenta diferenças do cérebro que impactam a aprendizagem.
Nenhum adolescente ou criança que tem o sentimento de fortes laços com seus colegas de classe ou da escola deseja mudar para um ambiente totalmente novo! Pense nisso!
Socorro, meu filho quer mudar de escola!

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