Um dos grandes dilemas dos pais atualmente é como garantir a liberdade que os filhos adolescentes precisam para amadurecer e ainda assim proteger contra as armadilhas de um mundo em tudo está a um clique de distância.

Recentemente voltamos a receber pedidos de ajuda de pais e escolas desesperados com a onde de suicídio entre adolescentes  que voltou a tomar conta dos noticiários.

Além disso, é comum ouvir de professores frustrados desabafos de cansaço e falta de energia para continuar a tentar envolver os alunos de Ensino Médio durante as aulas ou atividades propostas pela escola.

Diante de tragédias como suicídio de alunos que ainda teriam a vida toda pela frente, o que mais aparece como tentativa de ajudar os pais são sugestões para que eles se aproximem mais de seus filhos. A relação mais próxima com a família é de fato a melhor maneira para evitar que um adolescente acabe sucumbindo às tentações tão facilmente alcançáveis hoje em dia, como drogas e desafios absurdos propostos em redes sociais.

A crueldade maior está em imaginar que os pais de jovens que acabam por se meter em qualquer um desses tipos de problema não tenham tentando se aproximar ou não estavam dando o melhor de si, acreditando inclusive que tinham um filho feliz.

Algumas famílias até relatam que havia um certo distanciamento, mas nada que os próprios pais não tenham vivido durante sua própria juventude. E aí é que mora o perigo: por mais que você possa identificar atitudes e postura do seu filho com momentos que você passou na adolescência, precisa urgentemente repensar essa postura. O mundo em que seu filho vive é totalmente diferente daquele em que você passou sua juventude, pai! Sim, os desafios existiam. Sim, seus pais ficaram de cabelo em pé com diversas aventuras que você viveu e ainda hoje teriam um ataque se descobrissem coisas que nem passam pela cabeça deles que você fez. Ainda assim, não se compara com as oportunidades e perigos que seu filho enfrenta hoje.

Depois que você entrava em casa e seus pais trancavam a porta, o perigo estava do lado de fora. Esse tempo se foi. Hoje todo tipo de droga e de pessoas são trancados dentro do quarto junto com aquele jovem cujos pais dormem tranquilamente no quarto ao lado.

Tirar a tecnologia, controlar horários de uso da Internet não resolve. Pelo contrário, pode agravar o distanciamento entre seu filho e você e, pior, entre ele e os amigos que poderiam ajudar.

A solução está em conseguir vencer o desafio de se aproximar de fato. Conhecer o que se passa na cabeça e no peito desse jovem que aparentemente tem tudo o que os pais não tiveram, mas exatamente por isso não foi preparado para enfrentar as dores e desafios da adolescência.

Faltam habilidades que eram desenvolvidas no seio da família, mas cujos momentos que eram cruciais dentro de casa, junto dos pais, acabaram se perdendo.

O que você teve que seu filho não tem é algo que não pode ser baixado pela internet. É algo que requer tempo, paciência e segurança por parte dos pais. Empatia, paciência e capacidade de lidar com a frustração são habilidades que nós pais desenvolvíamos na infância e aplicávamos na juventude. E nossos filhos estão crescendo sem a capacidade de enfrentar o turbilhão de emoções e frustrações que essa fase traz.

A solução existe. Está ao seu alcance. Aproximar-se do filho é sim a solução. A questão é como fazer isso. Já que tudo o que ele quer é ficar sozinho e as respostas a tudo que você pergunta são monossilábicas, quando não um simples resmungo.

Para se aproximar, você só precisa resgatar algumas ferramentas que já estavam por aqui, mesmo antes de toda essa tecnologiachegar. Ao conseguir o equilíbrio, deixando que ele use a tecnologia, mas apresentando os prazeres do mundo analógico, o caminho para chegar até a mente e coração desse jovem estará traçado.

Deixe para lá o “sai desse computador/vídeo game” e comece a convidar seu filho para fazer algumas atividades com você. Se convidar não surtir efeito, você pode ser mais firme inicialmente: “amanhã preciso que você vá comigo no supermercado”. Ou, ainda melhor, diversão é uma opção infalível! Quantas vezes você levou seu filho ao teatro ultimamente?

O teatro é perfeito para aproximar a família. Mais que isso, é uma oportunidade única para os adolescentes desenvolverem 

habilidades como capacidade de foco e atenção prolongada, paciência, empatia e capacidade de lidar com a frustração. Ali podem praticar a vivência no mundo real, no qual não é possível adaptar a realidade ao gosto pessoal com um simples clique. Dar pausa não é uma opção disponível. Assistir a uma peça requer foco total, sem estar fazendo qualquer outra atividade simultaneamente.

A sugestão deste momento é a peça “A noite de 16 de janeiro”, que estreia no dia 05 de Maiono Teatro Tuca em São Paulo. Uma oportunidade única de misturar a capacidade de foco e atenção e a possibilidade de interagir com os atores, chegando a influenciar no final que a trama terá! A peça é dirigida por Jô Soares e conta com um elenco incrível! A história se passa em um tribunal e tem duas opções de final, quem decide é a platéia, que faz o papel de júri. Emoções vão bater de forma diferente em cada um de vocês. Perceber e conversar sobre elas e sobre como cada personagem impactou seu filho é a melhor chance de conhecer o que ele pensa e sente – sobre as pessoas, o mundo que o cerca e, principalmente sobre si mesmo!

Que tal pedir ao seu filho que reserve e compre os ingressos online para vocês curtirem uma inesquecível noite off-line em família?    

 

                   

Uma vacina contra suicídio entre adolescentes

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