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Paciência, uma habilidade que você vai precisar ajudar seu filho a desenvolver

Todo o contexto no qual vivemos nos leva ao imediatismo. Os diversos recursos da tecnologia nos fazem cada vez mais acreditar que tudo pode ser resolvido com um clique. O botão de avançar está presente em tantos momentos da vida que as crianças crescem sem oportunidades para desenvolver a paciência.

Uma criança não nasce paciente. Ela desenvolve essa habilidade ao longo da infância e na adolescência, desde que as condições estejam presentes. Quando éramos crianças, o próprio ritmo de vida e estrutura familiar geravam oportunidades na rotina da família para que a paciência fosse desenvolvida. Tínhamos mais irmãos e menos eletrônicos dentro de casa. Era preciso esperar o irmão sair do banheiro para que pudéssemos tomar banho ou escovar os dentes. O programa de tv favorito, passava uma vez por semana. Depois era esperar até a semana seguinte. Se queríamos ouvir nossa música favorita, tínhamos que esperar tocar no rádio. Outra opção era comprar um disco de vinil ou fita cassete.

Em ambos os casos, dava um trabalho para ouvir somente as músicas que você mais gostava: era preciso virar o disco ou avançar a fita, sempre errando o ponto de início da música. O mesmo valia para assistir a um filme: ir na locadora, esperar alguém devolver a fita que você queria ver, rebobinar a fita para não pagar multa. Eram tantas as situações em que desenvolvíamos naturalmente a paciência que nem era preciso que nossos pais planejassem nos ensinar a esperar.

Sem essa habilidade, seu filho terá uma vida ainda mais desafiadora. A relação com os estudos depende de paciência. Aprender requer paciência. A relação com outras pessoas requer paciência. Mas como ensinar paciência em um mundo cuja pressão para vencer o tempo está sempre presente?

  1. Crie situações em que seu filho tenha que esperar a vez dele. Paciência se desenvolve na prática. E a rotina da família é seu principal aliado.

Vivendo em famílias menores e acostumadas desde muito pequenas a terem seus desejos atendidos de imediato, nossas crianças acabam crescendo sem saber esperar. A Paciência é uma habilidade essencial para que o processo de aprendizagem formal aconteça de forma tranquila. Além disso, a convivência com pessoas a quem amamos e com aquelas que passarão por nossas vidas em diferentes circunstâncias requer uma boa dose de paciência. Para amar e ser amado, precisamos aprender a respeitar o tempo do outro. Ser capaz de focar em metas de médio e longo prazo, desenvolver habilidades que nos ajudem a levar uma vida mais saudável e feliz, tudo isso requer paciência. Entender que algumas vezes é preciso recomeçar do zero, reconstruir a própria vida, as crenças, a capacidade de amar a si mesma, requer paciência. Apesar de ser tão importante, não existe uma teoria para ensinar essa habilidade. Ela é uma construção que jamais estará terminada, mas que torna seu filho mais forte e preparado para a vida a cada tijolinho acrescentado a essa obra. A dica de hoje é que você se coloque como uma pessoa com a qual seu filho tenha que dividir a vez. Mesmo em atividades que ele mais gosta, algumas vezes você começa, outras ele é o primeiro. Até a tecnologia pode ser usada para ajudar seu filho a desenvolver paciência. Jogue com ele os games que ele mais gosta, intercalando sua vez e a dele. No carro, coloque uma playlist com músicas escolhidas por cada um de vocês, porém que sejam intercaladas. E faça comentários para que tenham consciência de quem escolheu aquela música que estiver tocando no momento: “agora é a música que a mamãe escolheu…”. Simples assim, em pequenas doses, no dia a dia da família, a paciência vai sendo construída de forma sólida e com memórias agradáveis, que ficarão para sempre!

2. Aproveite aquele brinquedo, viagem ou presente tão desejado para ajudar seu filho a desenvolver a paciência.

Aquele “mãe compra” ou “pai, eu quero” pode ser a ferramenta que você precisa para ensinar seu filho a ter paciência. Ao invés de um “não” com maior ou menor intensidade ou do “sim” cheio de culpa e remorso, que tal responder com um “você mesmo pode comprar!”. Aproveite o sonho de consumo que seu filho tem neste momento e transforme em uma oportunidade que vai render frutos pelo resto da vida. Combine que ele vai poder comprar aquele objeto de desejo assim que ele juntar dinheiro suficiente para isso. Se ele já tem uma mesada, vai ter que poupar o tempo suficiente para juntar o valor total necessário. E aqui está um ponto importante. Sabe aquela tentação de completar o valor quando falta bem pouco? Pois é, não vale. Para ajudar no desenvolvimento da habilidade de paciência, os pais precisam ser os primeiros a aplicar a paciência. Quando você completa o que falta, quebra o ciclo que gera vários impactos positivos, entre eles a auto estima e a capacidade de esperar até que um sonho possa ser realizado com o próprio esforço. É exatamente na reta final que vem aquela ansiedade e que conseguir controlar o impulso vai gerar mais memórias positivas. Vale também repensar alguns momentos do final de semana ou férias: vamos passear na praça aqui perto de casa ou no shopping? Se formos na praça você pode guardar o dinheiro que gastaríamos com brinquedos no parquinho do shopping e ficar mais próximo do valor que precisa juntar. Se nesse momento passou um “ah, tadinho” na sua cabeça, está na hora de refletir sobre o quanto você está preparando seu filho para os desafios que ele vai enfrentar desde muito cedo. Uma convivência saudável e harmoniosa com os colegas de escola muda para melhor a vida dele como aluno em todos os aspectos. Sem paciência, mesmo os pequenos desafios se tornam uma barreira para a convivência social e o aprendizado!

3. Personagens, jogos e influenciadores que atraem a atenção do seu filho no mundo digital podem ajudar a desenvolver a paciência no mundo real.

A recompensa imediata que a tecnologia permite gera uma grande dificuldade em desenvolver a paciência para lidar com o mundo analógico. O tempo de resposta do mundo digital é cada vez mais curto. Encontrar uma resposta, personalizar uma página, pular aquilo que não desejamos ver ou ouvir são ações de execução tão simples e de retorno tão imediato que vamos ficando cada vez mais impacientes na hora de lidar com o mundo real. Encontra o equilíbrio no tempo de uso da tecnologia é um caminho para os adultos e uma necessidade primordial para as crianças. Porém, há também maneiras de usar aquilo que mais atrai seu filho no mundo digital para ajudar a desenvolver a paciência na vida real. Para as crianças, é possível imprimir desenhos, personagens e atividades para serem feitas no concreto, usando papel, caneta, lápis de cor. Recortar personagens, colorir e montar os cenários que fazem parte do programa que assistem online é uma excelente forma de praticar a paciência enquanto desenvolvem diversas outras habilidades como coordenação motora e criatividade. Aproveite as férias escolares para reunir mais crianças mantendo uma só opção de cada recurso. Por exemplo, três crianças têm uma só tesoura sem ponta, uma caixa de lápis de cor, uma cola. Ao ter que compartilhar os recursos disponíveis, têm também oportunidade para desenvolver a paciência. No caso de filhos mais velhos, sugira que criem juntos vídeos sobre assuntos que gostem, dividindo a responsabilidade por definir o tema dos vídeos, organizar o espaço, escrever o texto que servirá de base para a fala, editar o vídeo. Os vídeos produzidos ser assistidos por toda a família, quando se reunirem em casa depois do trabalho. Eventualmente, com a aprovação dos pais, podem também se tornar um canal do Youtube. Ao contrário do que imaginam os filhos, há muito trabalho e paciência por trás de um canal de sucesso!

4. A dica mais simples que você vai receber para ajudar seu filho a desenvolver a Paciência. E também a mais difícil de ser colocada em prática.

Juro que nós duas amamos a tecnologia. Confesso que não vivo sem uma boa conexão de internet e um celular. E juro também que seu filho precisa conhecer e dominar esse mundo hightech, ou será um ET aqui na Terra. Um dos pontos que mais prendem a atenção dos pais em nossas palestras com o tema “Tecnologia” é nossa fala sobre o quanto é prejudicial para os filhos ter a tecnologia tirada do dia a dia como forma de castigo. E defendemos a tecnologia como um dos caminhos para a tão necessária personalização do ensino. Eu poderia ir até o final deste post só contando minha experiência de amor, aprendizagem e paixão pela tecnologia, especialmente quando integrada à educação. Tudo isso para mostrar que nada contra a tecnologia, nada! Então lá vai a dica de hoje: pelo amor que você tem a esse filho/a, elimine qualquer telinha e fone de ouvido do seu carro. Aqui não é aquele “faça um combinado” que nós adoramos sugerir. Agora é “proíba terminantemente” vídeos e fones de ouvido durante o trajeto de carro seja de onde for, para onde for. A tecnologia como distração dentro do carro é como um zumbi que você deixa ali, pronto para roubar a habilidade de paciência que seu filho precisa desenvolver. Todo trajeto fica curto quando estamos distraídos olhando para uma telinha. E vazio também. E sem vida também. “E se tiver trânsito parado?” Conversem. Cantem. Contem histórias. Aproveite também para conhecer quem é seu filho quando fica entediado e descubra se a professora dele é tãooo impaciente quanto você pensava.

Pratiquem juntos a arte de tornarem-se criativos a partir do tédio compartilhado. E lembre-se desses momentos quando seu filho colher os frutos da paciência que você ajudou a desenvolver. Eles virão nos relacionamentos pessoais, nos estudos, na vida profissional, na educação dos seus netos e nos cuidados com você, quando os papéis se inverterem!

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