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Socorro, meu filho está no Primeiro Ano – 5 DICAS!

1. Mais uma situação em que os pais ficam com uma mistura de emoções e sentimentos: filho terminando a Educação Infantil! Olhos lacrimejando só de pensar que seu bebê cresceu. Orgulho que não cabe no peito na hora da formatura. E coração disparado só de pensar que vem nova fase com novos desafios pela frente. Preparem-se pais. Muitos outros momentos como este estão por vir. E vocês vão sobreviver! Mas não será preciso enfrentar um sufoco por dia no próximo ano letivo se você começar a fazer pequenos ajustes a partir de hoje! Há sim algumas habilidades que tornam não só o primeiro ano, mas todo o Ensino Fundamental mais tranquilo para seu filho. E não é preciso que a criança se torne um mini adulto porque vai para uma nova etapa na escola. Evite criar uma expectativa negativa usando afirmações que não vão ajudar em nada, do tipo “Agora você vai ter que estudar, porque vai ter provas.” ou “Acabou a brincadeira, agora é sério”. Ao invés disso, demonstre orgulho porque seu filho mudou de escola, de período ou de prédio dentro de uma mesma escola. Quando se referir ao primeiro ano, traga pontos positivos de modo a gerar na criança aquele desejo de que nem demore tanto para começar. Mais que tudo isso, para que seu filho esteja seguro e possa desenvolver todo o potencial que tem, ele vai precisar de algumas habilidades que podem ser desenvolvidas ou aprimoradas no dia a dia, de maneira leve e divertida.

2. Independência e autonomia. Duas palavras que, se colocadas em prática no dia a dia de seu filho, vão tornar a relação com os estudos mais tranquila e agradável. Nada como fazer os ajustes necessários de forma que seu filho possa assumir algumas atividades que alguém tem feito por ele. O grande desafio não vai ser conseguir que seu filho aprenda a ser independente e ganhe autonomia para comer, beber, organizar brinquedos e pertences. Na maioria das vezes, os próprios pais resistem em assumir que o filho está crescendo. Tentam manter a dependência em diversas situações na esperança de segurar um pouquinho mais aquele bebê que insiste em crescer tão depressa. Agora está na hora de pensar mais no seu filho do que em você. Ao fazer tudo por ele, mesmo com a melhor das intenções, você não está mantendo seu filho “pequeno”, só está gerando uma criança maior, porém insegura. Além disso, por mais que seu filho corresponda às expectativas, esperando que alguém faça tudo no lugar dele, a auto estima sofrerá impacto negativo em breve. Nas situações em sala de aula ou na convivência com os colegas, ele sentirá falta de habilidade para atividades como abotoar a roupa, erguer o zíper, amarrar o cadarço, servir a própria comida ou água. É importante lembrar que nenhum desses aprendizados é “para a escola” ou “porque ele vai para o primeiro ano”. São habilidades para a vida, capazes de tornar seu filho mais seguro e pronto para enfrentar novos desafios com base nos benefícios que a persistência pode trazer. Ao contrário do que você possa imaginar, estando seguro e sentindo-se capaz, a relação em família se torna mais tranquila. E você pode aproveitar ao máximo o tempo para brincar com seu filho. Isso sim o deixará ainda mais próximo de você, pai/mãe!

3. É possível começar o primeiro ano já tranquilo, eliminando ou minimizando situações que geram sentimentos negativos em relação à aprendizagem. Um fator que afeta a criança nessa etapa é a falta de habilidade para seguir orientações em série. Traduzindo para o dia a dia, aqueles pedidos simples, que envolvem um passo a passo ou uma série continuada de ações. Até o final de Educação Infantil, grande parte das atividades tinha apenas uma instrução a ser seguida: “agora, vamos pintar o desenho”, por exemplo. Conforme os alunos vão terminando, a professora encaminha cada um ou para a próxima atividade. A partir do primeiro ano, vem uma pequena mudança que tem um enorme impacto! É natural que a professora passe as instruções em blocos: “acabando de copiar a lição, pode guardar o caderno na mochila e formar a fila.” Sem ter desenvolvido a habilidade para processar instruções em sequência, o aluno se perde. A situação que os pais enxergam é, muitas vezes, a ponta do iceberg: o filho não sabe o que tem que fazer na tarefa. Acabou copiando somente parte do enunciado e fica perdido. A família pode ajudar a prevenir esse tipo de situação, criando as condições para que o filho desenvolva a habilidade de seguir instruções que contenham passo a passo.  Não saia resolvendo sozinha/o aquilo que seu filho pode fazer ou participar. Mesmo dentro do carro, durante um passeio, você pode incluir uma sequência de instruções. Vale até mesmo em brincadeiras: “o jogo é encontrar a letra do nome de alguém da família e dizer a cor do carro – letra M de Mônica, na placa do carro vermelho”, por exemplo. Comece com instruções de dois passos e aos poucos acrescente um passo a mais. Uma forma simples para ajudar seu filho a ter um primeiro ano mais tranquilo!

4. Resgatar brincadeiras da sua infância é uma maneira eficaz e divertida de ajudar seu filho a começar o primeiro ano escolar com a coordenação motora em ótimo nível. A coordenação motora é essencial para que seu filho desenvolva todo seu potencial na escola, especialmente a partir do primeiro ano. O desenvolvimento da coordenação motora fina está totalmente ligado à coordenação motora grossa. Esta é a capacidade de sincronizar movimentos de forma coordenada usando cérebro, músculos e articulações. Nossas crianças levam uma vida muito sedentária, o que gera uma total falta de consciência corporal. Assim, chegam ao primeiro ano com o desenvolvimento coordenação motora grossa muito abaixo do potencial que possuem. Muitos casos de falta de interesse nas aulas, recusa de ir à escola, baixo envolvimento com os colegas estão ligados à baixa auto estima gerada por falta de coordenação motora. A coordenação motora grossa está envolvida em ações como correr, pular, saltar, subir e descer escadas, desviar de móveis e objetos. A criança desenvolve essa habilidade explorando o ambiente em que vive e descobrindo novos espaços. Diversos aspectos da vida moderna explicam o sedentarismo maior de nossas crianças hoje. Muito além dos atrativos da tecnologia, há questões ligadas à segurança e à falta de companhia para as brincadeiras que ajudam no desenvolvimento da coordenação motora grossa. Ter consciência dos empecilhos é bom, não para justificar e sim para buscar alternativas. Não dá para brincar na rua? Vamos descer para áreas comuns do prédio ou combinar com os pais para se encontrarem na pracinha mais próxima. Não tem irmãos em casa? Ah, essa é fácil de resolver! Corre ali no banheiro agora mesmo. Juro que a companhia ideal para brincar com seu filho de “gato mia”, “cabra-cega”, “elefantinho colorido”, “esconde-esconde” está lá, dentro daquele espelho, pronto para se divertir muito!

5. Coordenação motora fina, eis uma habilidade essencial para que seu filho possa dominar a escrita. Essa habilidade é necessária para que seu filho consiga ajustar tanto a pressão que fará no papel ao escrever quanto a firmeza com que vai segurar o lápis e a caneta. Encontrar esse ponto requer uma coordenação entre a visão e o movimento das mãos, além de domínio da atividade das diversas partes do corpo envolvidas. Uma criança que tem a coordenação motora fina desenvolvida ficará livre para fazer as conexões relacionadas aos sons e símbolos. Agora vamos às suas gavetas. Dentro da sua casa há um paraíso de recursos que podem ser seus maiores aliados nessa missão durante as férias. Sabe aquele pegador de gelo? O pegador de salada e o de macarrão? Que tal colocar todos em uso, na mesa das refeições e deixar que seu filho sirva a própria comida? Lembre-se de que o segredo é a prática. Nas primeiras tentativas, ele pode fazer isso de forma desajeitada. Não precisa explicar o passo a passo, nem fazer comentários. Só a prática vai dar ao seu filho condições para ajustar a pressão, a força, a pegada necessária para cada utensílio. Coloque a bebida em jarras ou garrafas plásticas e deixe que ele sirva no próprio copo. Aproveite para explorar gavetas de outros cômodos da casa: pinça, botões, linha e agulhas maiores, menos pontiagudas, são excelentes recursos para desenvolvimento de coordenação motora fina. Brincar de costurar, criar pulseiras, colares, roupas de boneca são formas divertidas que ajudam, com o bônus de ter altíssimo impacto positivo na capacidade de foco e concentração. Essas são formas simples para ajudar seu filho a começar o primeiro ano mais seguro. Encontrar o ajuste para segurar o lápis e sentir prazer no desafio que dominar a escrita representa são processos que acontecerão de forma tranquila ao longo desse período.


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