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Socorro, um garoto está destruindo a diretoria da escola!

Recebemos vários pedidos de sugestão sobre o que fazer na situação apresentada por um triste vídeo que está rodando pelas redes sociais. Nas imagens, um garotinho destrói uma sala que parece ser a diretoria de uma escola, enquanto, impotente, a equipe da escola assiste a tudo, sem saber como parar a criança.

Segue então a resposta do “Socorro, meu filho não estuda!

Em primeiro lugar, fica a indignação com a situação que, infelizmente, está longe de ser uma exceção ou raridade no cenário educacional de nosso país atualmente. Porém, muito mais que um problema da educação, ali está um registro da enorme carência de família que estamos vivendo.

Perde-se tanto tempo discutindo o inútil que não sobra tempo para falar sobre o que de fato conta: não importa o gênero, sexo ou origem que une as pessoas que convivem sob o mesmo teto. O que de fato torna esse grupo de pessoas uma família é a relação de responsabilidade entre eles e deles para com aqueles que serão frutos desta convivência. Ou seja, família ensina e transmite valores, ensina respeito, impõe limites.

Quando a família educa, a escola consegue exercer plenamente seu papel de ensinar – ensina a ser cidadão, a praticar a ética, a sustentabilidade – e todos juntos constroem uma nação de verdade.

Se a família falha na educação – e a escola deveria trabalhar com pressuposto – cabe aos educadores buscar em sua caixa de ferramentas alternativas para preencher esse espaço, porque certamente em algum momento o vazio ali deixado vai vir à tona. Isso, sem contar com as consequências para o processo de aprendizagem em si, que fica extremamente prejudicado por baixa auto estima, pela falta de referenciais de tolerância, respeito e auto conhecimento.

Vamos à situação específica do vídeo então, quando as consequências da falta de educação eclodiu. A pergunta que nos chegou foi: o que fazer?

No caso da situação apresentada no vídeo, a solução preventiva está nos momentos que antecedem a gravação, dentro da sala de aula, provavelmente.

Fica muito claro que a criança tem problemas de falta de limites e baixa auto estima. Uma dica para o professor que diariamente enfrenta o desafio de conviver e ensinar crianças com tal perfil é não entrar em enfrentamento quando percebe que ela vai bater de frente. Isso significa aceitar que a criança faça o que deseja ou dê as ordens? Não! A ideia é que, conhecendo a criança, a professora pode perceber que aquele aluno vai medir força com ela em determinada situação. Ao invés de tentar, no momento do estresse, mostrar quem manda ali, despertando a ira da criança contra ela, é melhor optar por recuar, de forma que o controle ainda seja da professora.

Na prática, significa fingir que mudou de ideia e que o aluno não terá mais que fazer aquilo que está gerando o desconforto, mantendo assim o poder de decisão e controle nas mãos do professor.

Isso pode parecer, a princípio, que vai soar como vitória para a criança. Chamo a atenção, porém, para dois pontos: 1) a professora precisa de equilíbrio emocional para não enxergar isso como uma batalha, em que só um pode vencer e 2) enquanto ela estiver decidindo, não importa o que “parece”. O fundamental é que o poder de manejar a situação da melhor maneira está nas mãos do mestre. Depois, em conversa particular com o aluno, ela pode explicar porque ele perdeu ao não fazer a mesma atividade que os outros, conquistando assim a confiança dessa criança, que visivelmente carece de suporte e acompanhamento.

Uma criança educada e equilibrada pode até ficar brava, insatisfeita ou mesmo revoltada, mas não será agressiva. Não é o caso aqui. Está claro que o garoto tem problemas que vão muito, muito além da convivência na escola. É sobre este perfil de criança que estamos falando.

 Uma técnica que funciona é rapidamente desviar a atenção da criança para alguma outra coisa, antes que a explosão aconteça. A pior coisa a fazer é pensar: “dessa vez vou mostrar para esse aluno quem manda!” e partir para o enfrentamento.

Estratégias para momentos assim deveriam fazer parte da formação de professores. Só assim nossos mestres poderiam compor uma “caixa de ferramentas” na qual poderiam buscar recursos para os desafios constantes que enfrentam.

 Tudo isso, entretanto, vale para os momentos que antecedem o que vemos no vídeo. Fiz questão de começar assim somente para reforçar o quanto nossos professores merecem nosso respeito e condições de trabalho que permitam a ele estar concentrado para buscar ferramentas diferentes – físicas ou embasamento teórico – para os desafios gigantescos que enfrentam todos os dias!

Agora, considerando que já aconteceu – a criança não tem mais controle algum sobre suas emoções e a situação é a que assistimos nas tristes imagens, a sugestões é:

Quebrar a possibilidade da criança fazer um espetáculo com plateia que, quanto maior, melhor.

Uma só pessoa fica na sala com a criança, para evitar que ela faça algo que machuque a si própria fisicamente. Todos os outros saem.

A pessoa que fica fala, calmamente, sobre as emoções que a criança experimenta agora: “é realmente muito ruim quando a gente fica bravo…o coração fica disparado na hora da raiva, não é? O que mais acontece?” Dessa forma a criança percebe no ambiente que alguém a compreende (o que é diferente de aceitar ou concordar com o que ela está fazendo!) .

Não adianta tentar usar a lógica, explicando como e porque está errado o que ele está fazendo. Aí está a deixa sobre quem fica na sala então: quem conseguir controlar a vontade de dar uns tapas no bumbum dessa criança, a pessoa que, apesar de apavorada com o que vê, consegue manter a voz baixa e o tom não agressivo.

Conforme a criança se acalma, oferecer água e pedir que sente para descansar. Em pouquíssimo tempo já não fará sentido para ela o ataque, pois não tem plateia e não encontra mais o ponto de resistência contra o qual tentava lutar.

Finalmente é hora da pergunta: quem você quer que venha buscar você agora, para ir para casa?

E, parando por aqui, para não perder o foco que era o vídeo, confesso que meu maior medo vem na resposta para à pergunta final. E se a criança não quiser ir para casa? Bem, talvez esteja tudo explicado então!

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