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Pouco a pouco, vamos assimilando a cultura baseada na busca constante por ter mais, parecer melhor na comparação com os outros e alcançar a vida que só existe em imagens das redes sociais, em que todos estão sempre plenos, vivendo o sonho de uma vida perfeita. Mesmo que você tente explicar ao seu filho que não precisamos ter tudo o que o outro tem para sermos felizes, na prática, acabamos confirmando as mensagens de uma sociedade sem tempo para refletir sobre como nossa prática reflete um pensamento que nem sequer condiz com aquilo que gostaríamos de ensinar a um filho. 


Estudos recentes revelaram 4 elementos que são considerados como essenciais para encontrar a felicidade, mas que, de fato não impactam no grau de felicidade, em qualquer idade. E quanto mais passamos nossos dias sempre com pressa, sempre sem tempo, sempre prontos a cancelar alguém, seja amigo ou familiar, por terem opiniões diversas das nossas, mais seguimos cansados, ansiosos, depressivos. E assim, vamos nos distanciando do que tanto buscamos: a tal felicidade. E tão grave quanto nos tornarmos uma sociedade movida por medicamentos que escondem nossa total insatisfação com o rumo que nossa vida segue é educar filhos para replicar a busca por fatores que não geram felicidade. Eis o porquê estamos também assistindo atônitos, sem saber como ajudar crianças e adolescentes com questões sérias de autoestima, autoimagem e saúde emocional em níveis desesperadores. Nossas crianças e adolescentes são o reflexo das nossas crenças. E passamos as mensagens que eles mais assimilam quando menos percebemos: na relação com nossos parceiros, ou ex-parceiros de vida, na relação com a escola e com nossos familiares e na forma como cada vez mais deixamos de nos relacionar com amigos.


Nos próximos posts, vamos trazer quais são os 4 elementos que ensinamos a nossos filhos serem importantes, algumas vezes de forma consciente e outras no piloto automático, acreditando que vão trazer a felicidade com que tanto sonhamos para eles, mas que, comprovadamente, não trazem nada além de um sentimento enorme de vazio. Enquanto aguarda os próximos conteúdos, que tal fazer uma lista do que você imagina ser os fatores que estão arraigados em nós como fundamentais para a felicidade, mas que de fato não contribuem para aquilo com que sonhamos para nossos filhos?


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Desde meados da década de 90 eu vivo a experiência da busca pelo caminho que possa integrar tecnologia e aprendizagem, dentro e fora da escola, de maneira a garantir o sucesso de nossas crianças e adolescentes na educação formal. Conheci projetos inovadores ao redor do mundo. Vi muitas hipóteses serem levantadas, para anos depois se mostrarem ineficazes. E pude, também, conhecer muito trabalho bom, com resultados no envolvimento, participação, inclusão e sucesso dos estudantes, professores e gestores. A realidade, contudo, ainda hoje, é que não existe uma fórmula mágica de sucesso para a integração da tecnologia no processo ensino-aprendizagem. Exceto a certeza de que uma equipe bem-preparada, focada em oferecer a cada criança não somente o que ela tem de direito, que é educação de qualidade, mas também estímulos para que ela faça novas descobertas e mantenha acesa a chama da curiosidade. Em que momentos a tecnologia vai entrar, quem terá acesso e de que forma, isso é papel da escola decidir. 


Você, mãe/pai/responsável precisa se preocupar em caso de extremos: se as crianças passam muito tempo todos os dias, na escola, em frente a uma tela, ou se a escola não usa a tecnologia em nenhum de seus processos: seja na comunicação com a família, seja na formação dos professores, seja na oferta de diferentes recursos para atender necessidades específicas de crianças cujas necessidades requerem diferentes opções e oportunidades.  

Precisamos sempre lembrar que computador e internet não têm o poder de fazer o aluno gostar de estudar ou aprender melhor. Eles são ferramentas que, quando usadas na forma e com o propósito adequados, podem sim transformar para melhor a relação que as novas gerações têm com os estudos. 



Só que o segredo não está no equipamento ou na velocidade da Internet. Estes são componentes importantes, mas a forma como o aluno é envolvido, e com qual objetivo, é que faz a diferença. E aí voltamos à chave original de como tornar o processo de aprendizagem interessante: despertar a curiosidade, o desejo de investigação, as possibilidades de tentativa e erro, a interação com os colegas da sala, da escola e de outros lugares do mundo. Isso tudo gera envolvimento, ajuda na motivação, desperta o estudante para buscar novos caminhos, fazer descobertas, construir hipóteses e testar cada uma delas. A chave para a educação de qualidade continua a ser o professor. Usar a tecnologia como ferramenta que ajuda na inclusão, na personalização e na ampliação das possibilidades de ensino e aprendizagem para além da sala de aula e da escola ainda é um desafio. A maneira como uma ferramenta é utilizada importa mais do que os milhares de recursos que ela pode ter embutidos. Para que a tecnologia continue a servir ao homem, nossas crianças, as nativas do mundo digital, precisam aprender a colocar o real peso de quem domina a quem. Só assim serão capazes de construir máquinas melhores para fazer um mundo melhor. A parceria família-escola entra também nesse ponto: equilíbrio entre o uso das telas e convivência no mundo real vale para dentro de casa, nos momentos em família e vale também para dentro da escola. 


Para ficar com o coração em paz, peça que a escola explique para você: como a tecnologia apoia a proposta pedagógica, qual o papel no processo de aprendizagem, como a equipe coloca em prática a linha que escolheu seguir e, especialmente, como você pode ajudar para que seu filho seja o grande beneficiado. Talvez você não encontre todas as respostas. Não tem problema. O mais importante é que vocês estejam em sintonia, construindo cada nova etapa dessa fase no desenvolvimento do seu filho, que não voltará jamais.


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Vivemos tempos de abundância da informação. E isso pode ser bom, mas traz também as consequências negativas: diante de tanta gente falando, ou melhor, publicando, tantos dados muitas vezes divergentes, como fazer escolhas, quando o que está em jogo é o futuro e a educação de nossos filhos? O tempo de exposição às telas, em especial no caso de nossas crianças, é um dos assuntos que tem gerado muita angústia para pai, mãe e todos os adultos responsáveis. Afinal, a tela desde muito tempo, bem antes de tantos aplicativos e recursos de personalização da experiência de cada usuário, é um fator que atrai crianças e adolescentes.


Que atire a primeira pedra quem não se lembra de querer chegar em casa logo, depois da escola, ou de um passeio, para não perder o desenho favorito. E como tínhamos que nos conformar com uma programação variada em relação ao público-alvo, saíamos de frente da TV simplesmente porque não estava passando nada de interessante, depois que um programa dedicado ao público infantil terminava. Ou teríamos também ficado lá, plantados, até que nossos pais encontrassem alguma estratégia para nos mover para o quintal, para a calçada, para brincar com os vizinhos.


Se essa atração já existia quando nós éramos as crianças, sem que fosse alvo de tanta preocupação, o que mudou? O acesso indiscriminado, a possibilidade de levar a tela conosco para todos os lugares e a quantidade/intensidade dos estímulos, cuidadosamente programados para que nossas crianças não consigam, sozinhas, desligar ou se desconectar da tela. E isso leva a um processo muito rápido de relação de vício, na qual a criança não encontra prazer em nada mais, exceto nas telas. Apesar de tanto tempo que nossas crianças têm passado diante de uma tela, elas continuam com a sensação de nunca estarem saciadas: mesmo depois daqueles “só dez minutos a mais”, que gera tanto estresse dentro de casa. Tudo o que acaba sendo excluído da vida dessa criança, mais os prejuízos gerados pela passividade diante dos aplicativos, somados ao fato de estarem em plena fase de desenvolvimento físico, emocional, cognitivo, acaba por se transformar no perigo chamado “excesso de tempo de tela”. 


Diante de tantos fatores a serem considerados, está também o fato de que precisamos preparar nossos filhos para viver em um mundo no qual a tecnologia será uma constante. Neste ponto fica a dúvida e a preocupação em relação à escola: será que a escola deveria ser um ambiente sem tecnologia, para ajudar no tão sonhado equilíbrio no tempo de exposição às telas? Ou, a escola sendo um ambiente cujo papel é preparar para a vida, não pode, de maneira alguma, considerar que está cumprindo seu propósito se não tiver a tecnologia como parte do dia a dia dos alunos? Como tudo que é relacionado à educação, a resposta para essa pergunta não pode ser vista como ciência exata. Neste caso também vale a máxima do “equilíbrio é tudo”. E aqui entram muitos fatores, entre eles, personalização do ensino, proposta pedagógica da escola, formação dos professores, comunicação interna e com as famílias. E será que existe uma fórmula, de comprovado sucesso, para atender a tantas demandas e garantir o equilíbrio no uso das telas na escola também? A resposta vem no próximo texto: por aqui já consideramos que você merece um descanso dessa tela, para que possa descansar e interagir com as pessoas aí do seu ladinho.


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