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Passamos por uma freada brusca do mundo. E, como acontece quando estamos no carro, sofremos o impacto dessa parada repentina. Passamos meses tentando manter os filhos aprendendo, mesmo com todo o estresse que o inesperado gerou. Mas agora já não é mais um susto. Não é mais de surpresa. Já sabemos que vai durar e temos consciência da complexidade do assunto.

É hora de buscar ferramentas e estratégias para tornar o segundo semestre um período mais adequado à energia que sobrou aí na sua casa. Como ajudar seu filho a se adaptar às aulas remotas? Como manter um processo de aprendizagem que garanta o menor prejuízo possível aos alunos? Qual é seu papel, como responsável, para que seu filho sinta que você e a professora têm objetivos em comum? São muitas perguntas para um só post. Gravamos uma série de vídeos respondendo essas e outras questões para O Maratona.Edu, da Editora Moderna.

O primeiro deles, fala sobre qual é a rotina ideal para manter os filhos aprendendo nesse período tão desafiador. É só clicar no Play =)


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Mesmo em países que levam a política, saúde e educação a sério, o retorno às aulas está sendo muito complexo.

Mesmo quando as escolas reabrirem, ainda teremos um longo período sem que todos possam voltar a ter aulas no formato que conhecemos como “normal”. Precisamos preparar nossos filhos para continuarem longe do aconchego da escola por mais tempo do que gostaríamos.

As escolas seguem fazendo os ajustes para que os alunos continuem a estudar, com o menor prejuízo possível. E as famílias seguem também com os esforços para que os filhos tenham o menor impacto possível. O que mudou então? A perspectiva do tempo que nossos filhos passariam longe da escola. E a projeção do novo desafio que o retorno à escola vai gerar. Pode respirar fundo, pai/mãe. Na prática, não muda nada em relação ao que está acontecendo agora: a escola do seu filho segue com o formato que vem oferecendo. Mas precisamos fazer alguns ajustes dentro de casa, para que vocês, pais, não fiquem tão sobrecarregados. E para que os filhos vejam o momento dos estudos como parte importante da rotina diária. O equilíbrio na quantidade continua a ser da família. Algumas pequenas mudanças de postura dos pais podem trazer um enorme impacto positivo tanto na rotina da família, como no envolvimento dos filhos com o processo de aprendizagem. É hora de ajustar os passos, para cansar menos ao longo da caminhada, que ainda segue sem previsão de chegada!

Se você participa da aula junto com seu filho, tira dele a responsabilidade de ser aluno naquele momento. Ele continua a se portar somente como seu filho. Adivinha quem vai ter que dar conta do aluno depois? Você!

Seu filho que está no Ensino Fundamental já consegue participar das interações com a professora e com os colegas de classe sem a sua presença. Um dos principais fatores que nos trouxe até aqui, como seres humanos em constante evolução, foi a capacidade de adaptação, especialmente quando temos o apoio de pessoas em quem confiamos. E as crianças se adaptam a mudanças com mais facilidade do que nós. Continua a valer o pressuposto do equilíbrio de acordo com a rotina da família.

Se estiver pesado demais, você, como responsável precisa encontrar o ponto de equilíbrio dentro de casa. Mas, nos momentos em que seu filho tiver a interação com o professor, você precisa sair de cena. Se você assiste junto com ele às aulas, na prática mostra que não acredita que ele consiga. Sim, ele vai se distrair, mas ele também se distrai na sala de aula. Sim, em alguns momentos ele não vai entender tudo o que a professora explicar. Mas isso acontece também na sala de aula.

Seu papel é fundamental quando a professora não está em cena, assim como era e voltará a ser quando ele puder ir para a escola. Ensinar o respeito, lembrar de regras como desligar o microfone e prestar atenção na aula é seu papel, mas não durante os momentos em que a professora assume o papel que é dela. Garantir que ele esteja sentado e pronto para começar no horário marcado, continua a ser responsabilidade sua, como antes. Porém, é preciso aproveitar esse momento para que seu filho descubra que ele é capaz de se responsabilizar por rotinas simples como ir até o lugar onde ele vai fazer a aula, e pedir ajudar quando precisar. Vai ficar mais leve para você. Vai gerar mais aprendizado para seu filho. E a caminhada que ainda é longa vai ser menos cansativa para todos, acredite!

Um segredo capaz de ajudar no envolvimento do seu filho com os estudos: o botão de volume da sua família.

Na ansiedade por colocar ordem no caos do dia a dia, acabamos por manter um tom de voz mais alto. E todos os membros da família seguem esse mesmo padrão. Isso torna a rotina mais cansativa. Mas é difícil perceber isso quando estamos há tanto tempo fechados dentro de casa, sem conseguir um distanciamento para enxergar de fora o cenário completo. Uma casa barulhenta e constantemente acelerada não consegue de repente, por um curto período de tempo, silenciar e desacelerar. Ao contrário, a necessidade de baixar o tom acaba parecendo “o problema”. Isso cansa. Desmotiva. Estressa a todos, especialmente seu filho que precisa tanto aprender a se concentrar, a prestar atenção para conseguir aprender. Deixar para tentar mudar o clima da casa somente na hora de estudar, faz com que a escola pareça ser o problema. Sua casa não precisa e nem deve se transformar em um templo de meditação. Mas pais e filhos vão se beneficiar muito se todos aprenderem a respeitar momentos especiais, em que alguém precisa se concentrar. Algumas sugestões para que todos aprendam a baixar o tom são: 1 – durante as refeições, os pais podem, propositalmente, falar mais baixo do que o normal. Faça isso e perceba como logo todos estão falando em tom próximo do seu. 2 – no momento em que alguém estiver assistindo à TV, combinar que os outros falam baixo. 3 – Assistam juntos a programas que os filhos gostam e deem pausa na programação sempre que alguém quiser fazer algum comentário. Isso ajuda muito também durante as conversas: não falar simultaneamente, enquanto seu filho está tentando explicar alguma coisa. Eles logo assimilam também essa prática que trará muitos benefícios ao longo da vida. Escutar é uma competência fundamental que precisa ser aprendida, mas que só pode ser ensinada na prática, especialmente pela família!

Nossos filhos só vão descobrir como transformar os momentos de estudo em casa em aprendizado quando nossa postura, atitudes e palavras provarem que acreditamos nesse poder que eles possuem!

Precisamos fazer um pacto e cortar da nossa fala qualquer palavra que sugira falta de capacidade de nossas crianças e adolescentes em superar esse momento que vivemos. Muitas vezes nossa crença vem encoberta por nosso desejo de proteger o filho, evitar que se frustre, sonhar com um mundo perfeito, sob medida para ele. Felizmente para nossos filhos, essa possibilidade não existe. A vida vai sempre trazer desafios e só assim é possível que eles cresçam emocionalmente fortes o suficiente para enfrentar aquelas dores que beijo de mãe não cura. Vamos olhar para esse momento como uma oportunidade única para nossos filhos. Enquanto estão seguros dentro de casa, tendo nosso apoio, precisam criar novas estratégias, formar conexões que não existiam no cérebro, para conseguirem seguir estudando. O quanto vão aprender não importa. O que precisam agora é seguir estudando. Esse esforço vai gerar a “musculatura” cognitiva e emocional necessária para vencer esse período que ficará para a história de vida de cada um deles. Vamos combinar que, a partir de hoje, deletamos de nosso discurso o “não é para ele/a”, eliminamos de nosso coração sentimento de pena e trocamos por orgulho pelas pequenas conquistas diárias. E toda vez que bater aquela dozinha por terem que passar por isso, basta reconhecer que é difícil, e reforçar o quanto você sabe que seu filho é capaz.

Um “sei que está difícil, mas você consegue” vai ecoar na mente do seu filho pelo resto da vida, se isso for dito com sua boca, olhos e coração.

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Não existe uma saída que possa atender a tantas variáveis. Não há uma resposta para questões tão inusitadas, que nunca foram vividas anteriormente. Estamos diante de um grande dilema, cujas alternativas serão sempre excludentes, ainda que existam muitas tentativas de conciliar necessidades divergentes.

Eis o porquê as próximas semanas e meses vão requerer muita paciência e capacidade de lidar com uma enorme mistura de sentimentos. Sim, viveremos momentos que vão exigir muito de nossas emoções, seja qual for a decisão que tomarmos. A decisão de que o filho volta para as aulas presenciais gera medo e incerteza. Ao mesmo tempo que vai encher seu coração de alegria ver seu filho feliz por reencontrar os colegas, professores e funcionários da escola. A decisão de que seu filho não volta, até que tenhamos vacina, vai trazer medo e incerteza também. Não existe uma resposta correta. E não adianta gastar sua energia tentando buscar satisfação total com a decisão que você tomar. É um pressuposto do dilema: ambas as opções disponíveis vão gerar questionamentos e consequências que você gostaria de evitar.

Se dentro de casa, pensando na sua família, a decisão é difícil, imagine o quanto se torna mais complexa conforme envolve responsabilidade por mais pessoas. É esse sufoco que vivem as escolas, gestores, professores e dirigentes de ensino. Dentro da escola, cada decisão tomada gera um impacto gigantesco em muitas pessoas. Ao longo dessa semana, vamos falar sobre os principais dilemas com os quais seguiremos convivendo. E vai chegar o tempo em que poderemos, literalmente, respirar aliviados em relação ao processo de aprendizagem, que tem sofrido tanto nos últimos meses!


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