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Reabertura das escolas: um grande dilema a ser enfrentado por toda a sociedade


Abrir ou não as escolas? É hora de unir esforços pensando na vida daqueles que vão decidir o presente que teremos quando formos os idosos carentes de estrutura, atenção e cuidados.


Não existe uma saída que possa atender a tantas variáveis. E não conseguiremos uma resposta única que satisfaça a todos os envolvidos. Estamos diante de um grande dilema, cujas alternativas serão sempre excludentes, ainda que existam muitas tentativas de conciliar necessidades divergentes. Eis o porquê as próximas semanas vão requerer muita paciência e capacidade de lidar com uma enorme mistura de sentimentos. Sim, viveremos momentos que vão exigir muito de nossas emoções, seja qual for a decisão que tomarmos. A decisão de enviar um filho de volta para as aulas presenciais gera medo e incerteza. Ao mesmo tempo, enche o coração de alegria ver um filho feliz por reencontrar os colegas, professores e funcionários da escola. A decisão de que seu filho não volta até que tenhamos vacina, vai trazer medo e incerteza também. Até que ponto o equilíbrio emocional e o aprendizado será ainda mais afetado e que prejuízos vai gerar ainda são incógnitas. Não existe uma resposta correta. E não adianta gastar sua energia tentando buscar satisfação total com a decisão que você tomar. É um pressuposto do dilema: ambas as opções disponíveis vão gerar questionamentos e consequências que você gostaria de evitar. Se dentro de casa, pensando na sua família, a decisão é difícil, imagine o quanto se torna mais complexa conforme envolve responsabilidade por mais pessoas. É esse sufoco que vivem as escolas, gestores, professores, dirigentes de ensino e governantes. Dentro da escola, cada decisão tomada gera um impacto gigantesco em muitas pessoas.



Teoricamente, manter as aulas online, ou voltar para as aulas presenciais, não seria um dilema, já que está posta a alternativa do modelo híbrido. Na prática, contudo, a realidade não é tão simples. Para que todos sejam atendidos, os professores terão seus próprios dilemas a resolver. O “ensino híbrido”, da forma como foi concebido, pressupõe todos os alunos tendo aulas presenciais e fazendo uso dos melhores recursos da tecnologia para ampliar suas possibilidades de aprendizado. Manter os dois modelos simultaneamente não é fazer “ensino híbrido”, é assobiar e chupar cana, bater o pênalti e correr para defender, é seguir fazendo mágica. Impossível não considerar que grande parte das famílias não tem sequer acesso a um celular. Ou à Internet. Nesse caso, para o professor, cuidar da própria saúde e zelar pela própria vida representaria lidar com a consciência de que muitos alunos podem estar perdendo a possiblidade do sonho com um presente e futuro ao qual têm direito, como cidadãos e como crianças que são.


Todos os dias, o professor vai ter que tomar decisões que representam dilemas. Mesmo no caso de escolas que optarem por transmitir as aulas presenciais para os alunos que ficarem em casa. Os estímulos necessários são diferentes para envolver um ou outro grupo de alunos.



Mais do que em qualquer outro momento que vivemos até agora, será necessário um esforço conjunto entre família e escola. Aos pais, ficará o dilema de manter o foco em lembrar que o filho é parte de um grupo ou pensar que cada aluno merece ter suas necessidades específicas atendidas. Lembrando que um dilema nunca tem uma alternativa que possa nos satisfazer plenamente. O caminho é a empatia, paciência e muita união entre os adultos responsáveis. Só assim vamos garantir que nossos filhos e alunos não sejam prejudicados pelas escolhas que fizemos por eles. É hora de unir esforços pensando na vida daqueles que vão decidir o presente que teremos quando formos os idosos carentes de estrutura, atenção e cuidados. Se não for por eles, que seja então pelo seu próprio futuro a decisão responsável que precisa ser tomada agora!

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