O que considerar na decisão entre manter ou mudar o filho de escola

Eis que chegou o período em que os pais têm que tomar a decisão sobre fazer a rematrícula do filho na mesma escola onde ele está ou mudar para uma nova proposta.

Ao mesmo tempo em que muitas escolas se empenham em atrair novos alunos, os pais se veem diante de um dilema: “será que mudar é o melhor para meu filho?”. De fato não é uma decisão fácil de ser tomada. Ao longo da semana vamos abordar algumas das armadilhas e fatores a serem considerados para ajudar na sua decisão. O que podemos adiantar como dica é que, ao contrário do que muitos pensam, essa não é uma decisão que pode ser tomada somente com base na emoção. Então, respire fundo e relaxe. Decisões conscientes e com maiores chances de sucesso são tomadas com uma avaliação de vários fatores envolvidos.

Ansiedade, medo de errar, estresse por algum momento difícil que vocês estejam passando na escola atual só vão prejudicar seu julgamento e gerar uma decisão tomada por impulso. É momento de equilibrar as emoções e deixar a razão falar alto e claro. Outra dica é não se deixar levar por propaganda ou jogo de palavras que na prática nada refletem o que uma boa escola precisa oferecer. Nada de errado se a escola oferece somente uma aula de inglês por semana para as crianças. Tudo errado se esta mesma escola se diz “Bilingue” por conta de uma aula isolada de uma língua estrangeira. Nada de errado se a escola não tem professores com mestrado ou doutorado. Tudo errado se a escola não tem professores formados . Dizer o que realmente faz e cumprir o que se propõe a fazer é essencial. Infelizmente não é o que acontece. Além desses, há outros fatores importantíssimos a serem considerados:

  1. Sem dúvida, é essencial que pais e professores tenham um canal de comunicação aberto e de respeito mútuo. Isso não significa, porém, que o perfil da professora tenha que corresponder às expectativas dos pais em todos os sentidos. No Brasil, temos a necessidade de sentir uma relação de amizade em todas as interações. Em muitos países, a realidade é inversa. Há inclusive professores que ficam ofendidos se tiverem a amizade mencionada como uma de suas características positivas na relação com alunos e pais. Isso não significa que sejam frios ou que não demonstrem carinho e cuidado para com seus alunos. Caso a professora do seu filho tenha um perfil mais introvertido, seja quieta ou séria além do que você esperaria, isso não significa que não seja uma boa profissional. O desafio é não comparar a professora atual com as anteriores que seu filho teve e nem exigir uma professora que mantenha na escola a rotina que você tem com seu filho em casa. Geralmente a criança se adapta tranquilamente a um professor diferente quando os pais demonstram ter segurança de que o filho está em boas mãos. Muito mais do que o perfil pessoal do professor, considere a escola como um todo. Se a escola oferece formação frequente aos seus profissionais, se está à disposição para atender os pais quando solicitam uma reunião e se a coordenação acompanha a prática de sala de aula, como parte do processo contínuo de formação dos professores, isso sim faz diferença! Ter professores com perfis pessoais diferentes só vai ajudar para que desenvolva habilidades de convívio social mais flexíveis. A diferença de personalidade entre os professores existirá em qualquer outra escola. Caso alguma escola afirme categoricamente que não há diferença nesse aspecto, fuja imediatamente. Fique naquela que ajuda o professor a melhorar a comunicação com os pais, mas mantém o respeito pelo ser humano que ele é.
  2. “A escola atual está muito puxada para meu filho” . Todo cuidado é pouco nesse caso! Mudar de escola porque a proposta de metodologia que ela oferece não está de acordo com o que vocês gostariam para seu filho, tudo bem . Trocar na tentativa de ajustar os estudos a questões como preguiça de estudar, manha na hora de fazer a lição de casa, recusa na hora da leitura ou da escrita, isso é prejudicial ao seu filho. Nossa sugestão caso seu filho esteja resistindo a se envolver com os estudos em casa, nos momentos em que deveria fazer as atividades enviadas como tarefa, é ajustar a rotina em casa primeiro. Mudar o filho de escola na expectativa de não ter atividades que precisam ser feitas com ajuda da família, em casa, não trará benefício algum para o aluno ou para vocês, pais. Isso vai somente adiar e aumentar o problema, quando a adolescência chegar. Todos os estudos recentes sobre o processo de aprendizagem confirmam que retomar o conteúdo apresentado na escola é essencial para que seja transformado em aprendizado. Além disso, hábitos como leitura e rotina de estudos só podem ser desenvolvidos com o esforço do próprio aluno também fora da escola. Qualquer escola que ofereça uma proposta de ensino séria vai, em algum momento, mandar atividades que precisarão ser feitas em casa. E vai também cobrar momentos de leitura e escrita para serem feitas em diversos outras oportunidades que não sejam na escola. E a questão mais importante: se você mudar seu filho porque a escola atual está “puxada demais”, a mensagem que fica para a criança é a de que ela não é capaz de enfrentar ou superar os desafios que certamente voltarão a surgir ao longo da vida de estudante. Então, que tal primeiro ajustar a rotina de estudos, garantir que seu filho esteja conseguindo aprender na escola atual e só então pensar em trocar de escola, se ainda assim fizer sentido essa ideia?!

Além desses, há outros fatores importantíssimos a serem considerados e falaremos sobre eles nos próximos posts.

              

“Uma boa profissão no futuro” não gera interesse dos filhos pelos estudos!

Dizer para o filho que ele precisa estudar para ter uma boa profissão ou ganhar dinheiro no futuro  não gera interesse pelos estudos! Nós adultos temos essa tendência de tentar convencer crianças e adolescentes sobre a importância dos estudos a partir da nossa realidade e não da deles. A intenção é sempre a melhor em relação aos filhos: o desejo de que não precisem passar os sufocos que os pais passaram.

Contudo, sua visão sobre a importância dos estudos é resultado da sua experiência de vida. É necessário adequar nossa fala para o ponto de maturidade que nossos filhos têm hoje. Como a ideia de ser um profissional realizado pode mudar a postura de aluno de uma criança de 8, 10 anos? Mesmo para os adolescentes, pensar que têm que estudar para ganhar dinheiro não traz estímulo algum. Para as novas gerações, ganhar dinheiro não é o ponto essencial.

Sustentabilidade, qualidade de vida, realização pessoal vêm antes, bem antes da preocupação financeira. A dica é colocar os benefícios do estudo o mais próximo possível daquilo que desperta o interesse dele, que ele sente como realização de um sonho. Isso é um grande desafio porque ouvimos pouco nossos filhos. Estamos sempre com muita pressa, pouco tempo, sem paciência. Somos uma geração de pais cheios de insegurança e traumas mal resolvidos, sem coragem de assumir nosso papel de responsável de ir lá e derrubar a internet, caso o filho não desligue o equipamento no horário combinado.

O argumento para estudar só funciona se for diferente para cada filho. E muda conforme seu filho cresce. A resposta perfeita é: “meu filho, você precisa estudar porque nos estudos está a chave para você ………..”. Esses pontinhos devem sempre ser preenchidos com o que seu filho sonha para os próximos anos da vida dele. Seja o que for, o estudo abre portas. Não questione o que ele tem como sonho. Só mostre como estudar vai ajudar para que ele consiga realizar o que deseja. Entendeu qual seu desafio? Eu explico: responda agora, rápido: qual é o sonho do seu filho?

               

Relações sociais entre os alunos e o impacto no aprendizado

Pare um pouquinho o que estiver fazendo e tente se lembrar dos seus melhores amigos da escola. Que momentos vêm a sua mente? Sem dúvida dois extremos: momentos de muita diversão ou de grandes sufocos que enfrentaram juntos!

Agora pense em quem são os amigos da escola de quem seu filho mais gosta, sobre os quais vive falando, contando histórias, aventuras e desventuras. Se você consegue lembrar dos seus amigos, mas não identifica quem são eles na vida escolar de seu filho, é hora de acender um alerta. 

Com a correria da vida moderna, o grande número de atividades extra e longos períodos conectados, nossas crianças e adolescentes acabam por não ter a chance de criar laços fortes com seus colegas de classe ou da escola. As consequências disso são muito maiores e mais imediatas do que você pode imaginar.

Ter pouco ou quase nada que dê prazer em lembrar daqui a alguns anos, quando recordar os momentos da escola, já seria ruim. Enfrentar desafios maiores na vida adulta por não ter desenvolvido habilidades como empatia, paciência, respeito à diferença, pior ainda. Mas as consequências de não ter fortes laços durante a vida escolar são maiores e de impacto mais imediato do que imaginávamos até pouco tempo.

Pesquisas recentes confirmam que alunos que formam laços de amizade no ambiente escolar aprendem melhor. Estudantes que têm o sentimento de estarem socialmente incluídos são mais seguros e enfrentam com maior tranquilidade os desafios da aprendizagem. 

Nos casos de crianças tímidas ou que mudaram recentemente de escola, especialmente nesta fase do ano letivo, em que a classe já tem suas panelinhas de amigos, é preciso ajudar para que a integração aconteça o quanto antes. Em situações assim, vale sua ajuda, sem forçar a barra ou interferir diretamente. 

Algumas sugestões são:

  • aproximar-se das mães que moram na mesma região e combinar passeios depois do horário da aula ou nos finais de semana. Dessa forma os filhos terão oportunidade para se conhecer em ambientes livres das panelinhas já formadas na sala de aula.
  • No final de semana, fazer passeios combinados com outras famílias de alunos da escola.
  • Incentivar seu filho a oferecer sua casa para algum trabalho escolar, de preferência em horários que você possa estar presente para servir um lanche e observar, de longe, a interação entre as crianças/adolescentes.
  • Apesar da importância do insubstituível contato presencial, grande parte das interações sociais dos jovens de hoje está sim baseada na tecnologia. Ao invés de pensar em deixar seu filho de castigo sem celular ou tablet, que tal pedir que ele conte como as redes sociais ou aplicativos de troca de mensagem o ajudam a manter a proximidade com os amigos?

Seu filho está indo mal na escola? Vale investigar o quanto ele está carente de envolvimento com os colegas de classe e não focar somente em reforço de  conteúdo. Reservar tempo para diversão com amigos também é uma forma de aprender – não somente o conteúdo acadêmico, mas aprender a aproveitar bem o tempo e ser feliz!

 

               

 

A epidemia da falta de interesse pelos estudos!

Socorro, meu filho não se interessa pelos estudos! Este é um dos pedidos de ajuda que mais recebemos. E vem de pais de todas as regiões do Brasil, com filhos das mais variadas faixas etárias. A boa notícia é termos tantas famílias preocupadas com essa questão e buscando ajuda. Nem os superpoderes de mãe ou de pai podem fazer um filho aprender se ele mesmo não se envolver e não fizer o esforço necessário para transformar em conhecimento o conteúdo que está sendo ensinado. E aqui está a chave para que nós, pais, possamos entender como ajudar nossos filhos: crianças e adolescentes precisam aprender em casa, desde pequenos, o real sentido das palavras “esforço, dedicação, responsabilidade, disciplina”.

Sem isso, nem a melhor escola do mundo, o melhor professor da face da Terra ou mesmo sistemas educacionais top do ranking internacional de educação como Singapura ou Finlândia, conseguiriam fazer um aluno aprender. Muitos pais tentam seu melhor, algumas vezes passando do limite do bom senso e fazendo a tarefa pelo filho ou escrevendo os resumos para que a filha estude para suas provas. Depois se frustram ainda mais, pois os resultados só pioram e o filho parece não se importar o mínimo. Então, pais, vocês estão fazendo isso errado. O desafio é outro: criar um ambiente em que os filhos desenvolvam as habilidades que formam o alicerce para uma relação de responsabilidade com a aprendizagem e com os estudos. Isso significa rever seus conceitos, pai/mãe. No início, é trocar o estresse de horas brigando para seu filho fazer a lição por momentos de maior firmeza, menos permissividade e colocar ponto final na pena e na culpa sem sentido. Se estiver disposto a comprar essa briga do bem, vem com a gente na leitura deste post que vamos dar dicas de como ajudar seu filho a se interessar pelos estudos:

 

  1. Antes de aprender o conteúdo da escola, seu filho precisa aprender em casa que é capaz de aprender qualquer coisa! A chave para seu filho se interessar pelos estudos está fora dos momentos da tarefa ou do desespero da véspera de provas. Uma criança só vai ter interesse e coragem para enfrentar os desafios da aprendizagem formal se ela achar que é capaz de vencer cada obstáculo. O que seu filho precisa é acreditar no quanto é capaz de aprender seja lá o que for, desde que tenha persistência. A verdade é que tudo o que seu filho faz bem, desde andar até encontrar rapidinho o aplicativo que ele mais gosta entre tantos ícones na tela, ele só consegue porque fez aquilo repetidas vezes. O que parece um talento que já nasceu com seu filho é simplesmente resultado de um esforço maior colocado naquela atividade. O incentivo, o elogio, o reforço positivo a cada tentativa e a visão de que não há erro, mas esforço para aprender fizeram a diferença para que eles dominassem cada habilidade que têm hoje. Alguém, por um acaso, se lembra de ter ficado bravo quando o filho caiu nas diversas vezes em que tentou até que conseguisse andar sozinho? Ou quando estava aprendendo a comer com as próprias mãos? Em todas as situações que consideramos que eles eram capazes, só precisavam de prática e apoio para tentar novamente, eles foram bem sucedidos. E assim deveria ser com os estudos. A dica é incentivar a nova tentativa e a persistência na hora da brincadeira, quando pequenos. Elogiar o esforço. Não tratar a tentativa que não deu certo como fracasso, mas como um novo passo para o sucesso. Incentivar jogos de quebra cabeças, memória, encaixe de formas para os pequenos. No caso de filhos maiores, colocar na rotina atividades que requerem prática para que sejam dominadas: preparar refeição um dia da semana, começar a tocar um instrumento musical ou praticar uma nova atividade física são exemplos de caminhos para ajudar seu filho.

 

2. O interesse pelos estudos começa ao assumir a responsabilidade por tudo o que diz respeito à escola e à aprendizagem. Se você tentar que o interesse apareça na hora de estudar, seu filho vai continuar a odiar a escola, a tarefa, a prova, a professora. Um exemplo simples de como, sem perceber, os pais agem como se a escola e os estudos fossem um peso na vida do filho desde muito cedo: a cena na entrada e na saída da escola, começando na educação infantil. A primeira atitude dos pais quando buscam os filhos na saída é pegar a mochila. Na entrada, a maioria dos pais vai até a porta carregando a mochila que a criança deveria estar levando. Assim, passamos a ideia de que a escola é “pesada”, mas que podem ficar tranquilos, porque vamos assumir essa responsabilidade no lugar deles. Dentro de casa, os próprios pais arrumam o estojo, as pastas, a mochila de seus filhos. Aos poucos vamos ensinando da forma mais impactante – na prática, pelo exemplo – que podem ficar tranquilos, nós cuidamos de tudo. Depois vem a enorme contradição na fala: a escola é para você aprender, vai ser importante na sua vida, você tem que fazer a tarefa, precisa entender que é para você mesmo o aprendizado. Quer ver seu filho assumir a responsabilidade pelos estudos, desenvolver o interesse pelo aprendizado? Corte o discurso e mude a prática! E nada de fazer cara de pena quando ele estiver vestindo sozinho o uniforme, carregando sua própria mochila ou arrumando o material da escola. Se tem que comprar algum material relacionado à escola, ele deve estar junto, ajudar a escolher, ficar na fila para pagar, carregar a sacola com o material, chegar em casa e guardar no lugar certo. E o toque final, a cereja do bolo, o ingrediente mágico: troque a expressão de pena no rosto por palavras e gestos que transmitam a sensação de orgulho que você tem quando ele assume a responsabilidade por tudo o que está relacionado aos estudos!

 

3. A chave para seu filho se interessar pelos estudos está fora do momento da lição de casa ou da pressão das provas! A hora de estudar é hora de estudar e não de aprender a gostar do estudo. É verdade que dá trabalho educar uma criança para que ela desenvolva desde muito cedo o interesse pelos estudos. Mas veja esse desafio como um investimento. O que você colocar de tempo e esforço em momentos da rotina da família para ajudar seu filho a se interessar pelos estudos, vai economizar em brigas, estresse e até mesmo em dinheiro para tentar consertar os prejuízos. Uma das receitas de comprovado sucesso para despertar o gosto pelos estudos é o hábito da leitura. A leitura precisa fazer parte da rotina da família. Nos dias atuais, isso é um enorme desafio, só possível de ser vencido com participação dos pais. A dica é fazer sessões semanais, inicialmente de 20 minutos, em que todos da casa estejam lendo. Inicialmente, deixe que seu filho leia revistas ou histórias em quadrinhos e depois vocês fazem a transição para livros. Para crianças menores, leia para ela, depois leia com ela, então deixe que ela leia para você. Diversas pesquisas confirmam que crianças que desenvolvem o gosto pela leitura aumentam na mesma proporção o interesse pelos estudos. Outra maneira para desenvolver o gosto pela aprendizagem é ajudar seu filho a ter uma postura ativa em relação ao aprendizado no dia a dia. Isso acontece quando a criança ou adolescente pratica um esporte, passa momentos com colegas da mesma idade, toca um instrumento musical. Conversar com seu filho, incentivar mais questionamentos ao invés de responder: “ah, vê se me dá sossego um pouquinho, não aguento mais tantas perguntas” é também uma das maneiras de promover a aprendizagem ativa. Para complementar, passeios a parques, museus, bibliotecas. Uma nova rotina vai trazer a mudança que discurso nenhum consegue promover no interesse do seu filho pelos estudos!

            

O impacto da mudança na rotina das famílias na relação dos filhos com os estudos

Temos hoje muitas vantagens e comodidades que não existiam durante a nossa infância. Ganhamos acesso a informações que ajudaram a melhorar diversos aspectos da vida que levamos em família. Hoje temos opções mais variadas e podemos personalizar nossos hábitos , de acordo com diferentes gostos e necessidades. Há mais liberdade de escolhas, menos preconceito em áreas que eram restritas de acordo com o sexo, idade e outras características que já não importam tanto, apesar de haver ainda muito pelo que lutar. Nossos filhos podem, desde pequenos, fazer escolhas que nem sequer passavam pela nossa cabeça.

Quantos mitos derrubamos na educação de nossos filhos e o quanto descobrimos ser positiva uma relação mais próxima com as crianças. A tecnologia trouxe possibilidades que nossos pais nunca poderiam imaginar. Apesar de todos esses benefícios da vida moderna, nossos filhos se relacionam com a aprendizagem formal e com os estudos de forma cada vez mais negativa. Estudar é um peso. A lição de casa é um tormento na casa de tantas famílias. A chegada do boletim é motivo de estresse e até depressão entre os alunos e pais. O hábito da leitura é uma espécie em extinção e missão que tortura pais e responsáveis.

Qual a relação entre a mudança na rotina das famílias e o distanciamento entre nossos filhos e o gosto pela aprendizagem? Hoje, vamos resgatar memórias que podem gerar saudades da infância que os pais tiveram e mostrar a relação que tinham com a forma como aprendemos. E vamos dar dicas de como resgatar os benefícios de atividades que desapareceram da rotina em família, mas que podem ser retomadas em uma versão mais moderna. Confira:

Mesmo que vocês sejam pais jovens, ainda pegaram o tempo em que havia uma televisão na sala de casa. E ali todos se reuniam para assistir juntos algum programa. Não era o que vocês assistiam que fazia a diferença. A grande estrela da foto que ilustra este post não é a tv. É família reunida em um mesmo cômodo da casa. Todos olhando na mesma direção, respeitando as diferenças de gosto, focados em um só ponto, gerando assunto para um bom papo. Muitas das habilidades que você desenvolveu vieram de momentos como esse. E muito do sufoco que você passa com seu filho hoje na relação com os estudos vem da falta de oportunidades como as que você teve. Aguentar firme ali, mais pela companhia do que pelo programa, aprender a ouvir, sentar perto de seus pais e até ficar entediado algumas vezes. Precisamos replicar mais essa cena, intercalando o foco de todos na tv pelo que você quiser: pode ser o vídeo game, pode ser netflix, pode ser um livro, pode ser um jogo de tabuleiro, pode ser cada um da família contando seu maior desafio e a melhor parte do seu dia. Pode ser qualquer coisa, desde que o lado de cá esteja presente: os pais, os filhos, os ouvidos, o respeito, a vontade de dividir com a família algum momento depois de um dia corrido. A foto que você fizer da sua sala hoje explica parte da falta de paciência que seu filho tem com os colegas de escola, a baixa capacidade de se concentrar na hora da tarefa, a falta de assunto com vocês na mesa das refeições. Que tal voltar a reunir a família na sala de casa e passar inesquecíveis momentos de tédio junto com seus filhos? Conviver com os colegas da escola e com os professores será bem mais legal quando nossos filhos souberem que o mundo real é este e não aquele ali dos cliques, pausas e fones de ouvido!

Feche os olhos e tente se lembrar de momentos em que você e seus irmãos saiam de carro com seus pais. O que vem na sua memória? Provavelmente a briga para decidir quem ia sentar perto da janela. Ou tinha também uma disputa para sentar bem ali no meio do banco de trás e poder ficar pertinho dos pais, falando, falando, falando. E as músicas no rádio ou no toca fitas, eram as suas preferidas? Não! Eram as músicas que seus pais gostavam, que eles escolhiam e todos ouviam. Mesmo que você ficasse bravo na época, garanto que hoje essa mesma música gera uma saudade gostosa. Todos esses momentos se transformaram em memórias e habilidades que ajudaram você a superar diversos desafios ao longo da sua vida de estudante. As crianças continuam sentando no banco de trás do carro de seus pais. Mas esse momento deixou de ser uma grande aventura em família. A foto de um carro de hoje teria um pai ou mãe estressada, na correria, olhando o Waze ou falando ao celular. O filho, na cadeirinha, geralmente tem um brinquedo para se distrair. Ou, para nosso desespero, um tablet/celular que estão no lugar errado, na hora imprópria! Aproveitar melhor o tempo dentro do carro pode ajudar a resolver problemas como falta de atenção na escola, preguiça na hora da tarefa e dificuldade no relacionamento com os colegas. Rádio ou aplicativos de música: sim, desde que intercalando músicas escolhidas por cada membro da família e nada de fone de ouvido, não importa a idade dos filhos. Tablet e celular, não. Faça a mudança de hábito, apesar das reclamações que possam existir no início. Sempre que estiverem no carro, estejam todos juntos, de corpo e alma. Todas as conversas e descobertas ao longo do trajeto se tornarão recursos que seu filho vai aplicar no aprendizado e relacionamentos sociais ao longo da vida.

Mesmo com toda a evolução da tecnologia e mudanças na estrutura e rotina das famílias, ninguém deixou de se alimentar. E nem os alimentos do dia a dia se transformaram em pílulas, como previram os Jetsons. Então o que faz do hora das refeições um dos “momentos em família que fazem falta nos dias de hoje”? A forma como acontecia. Os benefícios que deixavam. O tempo que tomavam. Em muitos casos, também o alimento que se comia. Durante a refeição, todos falavam, ouviam e até mesmo brigavam. Mas faziam tudo isso olhando um para o outro, sem interferências externas. As famílias eram maiores, a variedade de comida em cada refeição era menor. Ainda assim, sobrevivemos todos. Não se iluda. As crianças mudaram menos do que se pensa. Os pais é que de fato mudaram muito. Pendularam e passaram da disciplina exagerada para a permissividade extrema. Acreditem, pai e mãe, a refeição em família é um dos costumes que mais estão fazendo falta na vida de nossos filhos. Só a refeição e a família, sem nenhum outro elemento. Televisão, celular, tablet só trazem prejuízo nesse momento. O momento da refeição em família, nos moldes da foto deste post, pode ajudar no desenvolvimento de habilidades como paciência, respeito, capacidade de lidar com a frustração, ser um bom ouvinte, foco e concentração. As consequências virão na melhora da atenção na hora da aula, na relação com os colegas de escola e familiares, no respeito por regras de convivência social. Mais que tudo isso, os laços em família são reforçados. Os pais têm a chance de realmente conhecer seus filhos, suas angústias e alegrias, na rotina de jantar em família. Mais seguros e sentindo que têm atenção e amor dentro de casa, nossos filhos estarão mais preparados para navegar pelo mundo virtual sem o perigo de criar com estranhos a relação que não existe dentro de casa!

Que jogos de baralho você conhece? Mesmo que os mais simples, como Mico, Burro, Mau Mau, você deve se lembrar de ter aprendido na infância. E quanto das férias ou finais de semana você e seus irmãos, primos ou amigos passaram sem perceber o tempo correr. Agora a pergunta: que jogos seu filho sabe jogar com baralho? Muitas crianças e adolescentes nem sequer conhecem um baralho. E pode acreditar que grande parte da impaciência, rebeldia e baixa capacidade de lidar com a frustração do seu filho pode ser minimizada com o contato com jogos e brincadeiras desse tipo. Há outros enormes benefícios que se perderam juntamente com os baralhos que sumiram das gavetas de nossos lares! Jogos como baralho e dominó são mais do que lazer. Ajudam a criar o gosto pela matemática, por exemplo! Trazem para dentro de casa, em momentos de diversão, a possibilidade de aplicação de cálculos e raciocínio lógico que hoje parecem ser pura “chatice” da professora. E isso ainda é só a ponta do iceberg de habilidades que seus filhos podem desenvolver com o simples resgate do baralho nos momentos em família. A capacidade de se concentrar durante a aula e na hora da tarefa também receberá o impacto positivo dos benefícios que jogos de dominó, baralho e tabuleiro podem trazer. Concorda que é um “sacrifício” cheio de vantagens para a família toda ensinar seu filho os jogos que você gostava?

Tudo o que nos fez bem durante nossa infância ainda está acessível para que possamos oferecer a nossos filhos. Nenhum dos ambientes desapareceu: a sala, a cozinha, o carro, a tv, o rádio, as cartas de baralho e vários jogos de tabuleiro. Todos se modernizaram e, teoricamente, deveríamos ter mais tempo para dividir com nossas crianças e adolescentes. Aos poucos fomos perdendo a mão e invertendo totalmente a lógica de tudo o que se poderia prever: a tecnologia deveria tornar a vida mais leve. Acabamos, porém, escravos de cliques, toques e telas. Ao invés de aproveitar o melhor de cada época – a que vivemos com nossos pais, do mundo analógico e os recursos da era digital, seguimos agindo como se tivéssemos que fazer uma opção entre os dois mundos. Ao privar nossos filhos de momentos de conexão com a família, abrimos um enorme vácuo que não poderá ser ocupado por tecnologia alguma. E dá-lhe depressão, solidão, ansiedade. Uma criança não tem como decidir entre desligar ou não a tv ou celular durante as refeições, na hora da tarefa ou no momento do passeio de carro. A responsabilidade é dos pais no desafio de trocar frases negativas do tipo: sai desse videogame ou desliga esse celular por convites feitos com a mesma firmeza e segurança que nossos pais nos passavam. A tecnologia não atrapalha, a dose errada é que prejudica. A única maneira de garantir que seu filho fique distante dos riscos do mundo digital é ter doses adequadas de mundo analógico em família! As oportunidades de conexão e aprendizado em família não desapareceram. O que de fato mudou foi a disposição das pessoas em estar juntas, a capacidade de ouvir o outro, a coragem de estabelecer prioridades colocando a família em primeiro lugar!