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Semana em que celebramos o Dia Mundial da Educação: oportunidade para refletir sobre os mitos que foram derrubados nesse longo período de escolas fechadas!


Até março de 2020 Educação era assunto da escola. Ou de Educadores. Até que tivemos que enfrentar uma pandemia e a Educação se tornou, finalmente, assunto de todos nós.

Muitas certezas foram por água abaixo durante esse período em que os filhos passaram a exercer o papel de alunos em casa. É hora de eliminar pré-conceitos que tínhamos como certeza absoluta e recomeçar diferente, repensando a Educação a partir da realidade que temos e dos desafios que nos aguardam.


O que mais assusta nesse período que estamos vivendo nem é a incerteza do que virá. Difícil mesmo é admitir a total falta de controle sobre o que parecia dominado. Nenhum conhecimento prévio ou saldo bancário pode livrar você do risco que todos corremos. E não há um país seguro para onde fugir. O mundo simplesmente mudou todas as perguntas. E as respostas que tínhamos perderam o sentido. Quantas certezas nós tínhamos sobre a escola, sobre a família dos alunos, a valorização do professor, o formato das aulas, a necessidade da tecnologia, a falta de interesse dos alunos. Enfim, questionamentos que fomos empurrando com a barriga, até que nossa falta de uma postura mais proativa se voltou contra todos nós. E nada melhor do que aproveitar a semana em que celebramos o Dia Mundial da Educação para refletir sobre mitos que foram derrubados enquanto a escola seguiu fechada. A ilusão de que simplesmente inserir mais tecnologia ajudaria a melhorar o envolvimento do aluno não existe mais. Assim como o pensamento retrógrado de que é possível fazer educação de qualidade sem tecnologia desabou. Pais e mães que se culpavam por ter que sair para o trabalho hoje percebem que estar perto do filho na hora do estudo não é garantia de bom desempenho. E se os professores hoje têm reconhecimento, precisamos admitir que seguimos longe, muito longe da valorização por esses profissionais.

Como aproveitar as frustrações, prejuízos e dores que a pandemia gerou para realmente melhorar a Educação em nosso país?


Se alguém tiver uma única resposta para essa pergunta não entendeu nada sobre o que vivemos e os desafios que nos aguardam! Mas não podemos ficar paralisados pelo tamanho da onda que vemos à frente. Ao contrário, é preciso pensar e agir ao mesmo tempo. Nossas crianças e jovens não têm botão de pausa. A educação continua a ser o caminho, não há tempo a perder.


Ao longo da semana vamos conversar com pessoas que não desistiram diante dos enormes desafios que a pandemia impôs. Empresários, educadores, mães e pais que trazem propostas para envolver os alunos já tão cansados. Projetos que vão inspirar Gestores Escolares a seguir a batalha de cada dia. Encontros para renovar a energia e manter nossa força para seguir buscando a tão sonhada educação que enxerga cada aluno como um ser único.


Vamos juntos, porque não temos mais tempo a perder.


As lives irão acontecer de 26 a 30 de abril, às 11h e 16h, e podem ser acompanhadas pelo endereço: www.soseducacao.com.br/jornadadaeducacao ou também pelo Canal da SOS Educação no Youtube

Confira a grade completa:


26/04 – Segunda-feira

11h – Como ensinar e aprender matemática com o apoio da tecnologia e da gamificação George Balbino – Mangahigh

16h – Família e Escola: como a boa relação pode melhorar a aprendizagem dos estudantes Isabela Munis – Escola Vereda

27/04 – Terça-feira

11h – Aprendizagem Socioemocional para o equilíbrio mental de estudantes e educadores. Sim, é possível e urgente Celso Lopes de Souza – Programa Semente

16h – Como manter a afetividade e o engajamento no ensino Ruymara Almeida – Red Balloon

28/04 – Quarta-feira

11h – Educação e tecnologia: perspectivas e aprendizados Fernando Shayer, CLOE

16h – O papel da aprendizagem ativa no ensino híbrido Letícia Lyle, Camino School

29/04 – Quinta-feira

11h – Como ressignificar a Educação em tempos de pandemia Débora Garofalo, considerada uma entre as 10 melhores Professoras do mundo pelo Global Teacher Prize 2019, Nobel de Educação

16h – Educação no Terceiro Setor Fernanda Lancellotti, ONG LAR

30/04 – Sexta-feira

11h – Coletivo Leitor: como estimular o hábito de leitura desde a infância Carolina Tresolavy – SOMOS Educação (Literatura)

16h – O futuro da Educação num mundo pós-pandemia Raniel Parente, BEĨ Educação



De ilusão em ilusão, falhamos, e muito, quando não damos à leitura a importância que de fato ela tem no desenvolvimento de nossas crianças.


A Leitura é um dos caminhos mais eficazes para garantir o sucesso em todas as fases da vida de nossos filhos. Mas é também um dos maiores desafios que os pais enfrentam hoje. Além da grande concorrência com tantas outras atividades, há também a dificuldade em organizar a rotina da família reservando tempo para ler. E aqui entra o ponto chave: nós, adultos responsáveis, precisamos ter consciência da importância que a leitura tem em todas as etapas do crescimento. Vivemos a era da falta de tempo. E assim, acabamos priorizando uma agenda que traz a ilusão de estarmos cumprindo nosso papel. Nossos filhos crescem na ilusão de que a leitura pertence à escola. E a escola segue na ilusão de que vai conseguir que seus alunos criem o hábito da leitura. E assim, de ilusão em ilusão, falhamos, e muito, quando não damos à leitura a importância que de fato ela tem. Mesmo não sendo intencional, estamos cometendo uma falha enorme ao não priorizar tempo para leitura dentro de casa, na rotina da família. Com pequenos ajustes na rotina dentro de casa podemos conseguir que nossos filhos aprendam a gostar de ler.


Mas enquanto não chegam ao ponto de gostar, vamos nós, pais, dar à leitura a importância que tem, assim como fazemos com hábitos de higiene, como escovar os dentes, por exemplo. Assim como seu filho, você não aprendeu a escovar os dentes porque amava fazer isso ou porque tinha consciência da importância. Foi um hábito criado em família, com esforço e atenção plena dos pais até que estivesse incorporado pelo filho. O impacto que a leitura tem na saúde emocional e cognitiva do seu filho é equivalente ao impacto que escovar os dentes tem na saúde bucal e física de cada um de nós. Uma dica para dar o pontapé inicial nesse novo hábito da sua família: comemorar o dia de hoje de forma especial.


E quando seu filho perguntar o vocês estão celebrando, basta responder: o dia do Livro!











Abrir ou não as escolas? É hora de unir esforços pensando na vida daqueles que vão decidir o presente que teremos quando formos os idosos carentes de estrutura, atenção e cuidados.


Não existe uma saída que possa atender a tantas variáveis. E não conseguiremos uma resposta única que satisfaça a todos os envolvidos. Estamos diante de um grande dilema, cujas alternativas serão sempre excludentes, ainda que existam muitas tentativas de conciliar necessidades divergentes. Eis o porquê as próximas semanas vão requerer muita paciência e capacidade de lidar com uma enorme mistura de sentimentos. Sim, viveremos momentos que vão exigir muito de nossas emoções, seja qual for a decisão que tomarmos. A decisão de enviar um filho de volta para as aulas presenciais gera medo e incerteza. Ao mesmo tempo, enche o coração de alegria ver um filho feliz por reencontrar os colegas, professores e funcionários da escola. A decisão de que seu filho não volta até que tenhamos vacina, vai trazer medo e incerteza também. Até que ponto o equilíbrio emocional e o aprendizado será ainda mais afetado e que prejuízos vai gerar ainda são incógnitas. Não existe uma resposta correta. E não adianta gastar sua energia tentando buscar satisfação total com a decisão que você tomar. É um pressuposto do dilema: ambas as opções disponíveis vão gerar questionamentos e consequências que você gostaria de evitar. Se dentro de casa, pensando na sua família, a decisão é difícil, imagine o quanto se torna mais complexa conforme envolve responsabilidade por mais pessoas. É esse sufoco que vivem as escolas, gestores, professores, dirigentes de ensino e governantes. Dentro da escola, cada decisão tomada gera um impacto gigantesco em muitas pessoas.



Teoricamente, manter as aulas online, ou voltar para as aulas presenciais, não seria um dilema, já que está posta a alternativa do modelo híbrido. Na prática, contudo, a realidade não é tão simples. Para que todos sejam atendidos, os professores terão seus próprios dilemas a resolver. O “ensino híbrido”, da forma como foi concebido, pressupõe todos os alunos tendo aulas presenciais e fazendo uso dos melhores recursos da tecnologia para ampliar suas possibilidades de aprendizado. Manter os dois modelos simultaneamente não é fazer “ensino híbrido”, é assobiar e chupar cana, bater o pênalti e correr para defender, é seguir fazendo mágica. Impossível não considerar que grande parte das famílias não tem sequer acesso a um celular. Ou à Internet. Nesse caso, para o professor, cuidar da própria saúde e zelar pela própria vida representaria lidar com a consciência de que muitos alunos podem estar perdendo a possiblidade do sonho com um presente e futuro ao qual têm direito, como cidadãos e como crianças que são.


Todos os dias, o professor vai ter que tomar decisões que representam dilemas. Mesmo no caso de escolas que optarem por transmitir as aulas presenciais para os alunos que ficarem em casa. Os estímulos necessários são diferentes para envolver um ou outro grupo de alunos.



Mais do que em qualquer outro momento que vivemos até agora, será necessário um esforço conjunto entre família e escola. Aos pais, ficará o dilema de manter o foco em lembrar que o filho é parte de um grupo ou pensar que cada aluno merece ter suas necessidades específicas atendidas. Lembrando que um dilema nunca tem uma alternativa que possa nos satisfazer plenamente. O caminho é a empatia, paciência e muita união entre os adultos responsáveis. Só assim vamos garantir que nossos filhos e alunos não sejam prejudicados pelas escolhas que fizemos por eles. É hora de unir esforços pensando na vida daqueles que vão decidir o presente que teremos quando formos os idosos carentes de estrutura, atenção e cuidados. Se não for por eles, que seja então pelo seu próprio futuro a decisão responsável que precisa ser tomada agora!

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