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Estamos em pleno verão, momento de curtir as férias e mais nada, certo? Errado!

Olhando pelo lado mais realista, estamos a menos de três semanas para o início das aulas e este é um excelente momento para começar a preparação para um ano letivo sem estresse, com melhores resultados.

Isso é especialmente verdadeiro caso seu filho tenha sido um dos milhares de alunos que passaram de ano por pouco, aos quarenta e cinco minutos do segundo tempo.

Na vida escolar, diferentemente do futebol, a vitória nos momentos finais não basta para ficar tranquilo. Isso porque o aluno que “passou por pouco” tem defasagem ou, no mínimo, falta de domínio, em conteúdos que devem ser a base para a série seguinte.

O problema é que o alívio pelo fato de ter conseguido passar ou até pelo esforço colocado na reta final acaba apagando da memória de pais e filhos o perigo de iniciar um novo ano letivo com a base de conhecimento vulnerável, carecendo de solidez para apoiar os conteúdos mais avançados que virão pela frente.

A boa notícia é que ainda está em tempo para preparar melhor seu filho para que possa entrar mais seguro e preparado a enfrentar os novos desafios que virão em termos de aprendizagem.

Caso seu filho seja uma exceção à regra e concorde em de fato aproveitar alguns dias do restante das férias para estudar formalmente, o melhor a fazer é retomar as provas em que teve as notas mais baixas. Ele refaz cada uma delas. Para a correção, usa a própria prova e pesquisa nos livros, apostilas ou mesmo na Internet. Isso seria uma ótima maneira de tirar dúvidas pendentes e reforçar a base de conhecimentos, garantindo assim um novo ano mais tranquilo.

Sejamos realistas, porém! Esse não é seu filho e você nem sabe se gostaria que fosse! Que tal então algumas maneiras de ajudar para que o ano letivo comece sobre uma base mais bem preparada, sem que seja necessário estudar formalmente?

Aí vão algumas dicas de como ajudar seu filho a esquentar o motor para um retorno às aulas mais tranquilo:

Criar o clube de leitura:

A proposta é que cada membro da família tem uma tarefa para o dia seguinte – entregar para os outros um material para leitura. Pode ser uma poesia, uma história infantil, uma reportagem, um texto retirado da Internet. Seus filhos podem precisar de ajuda com a impressão ou cópia do material.

O material não deve ser um livro completo, mas pode ser um capítulo ou trecho de algum livro.

Cada um deve fazer uma folha de rosto com a explicação do porquê este foi o texto escolhido para que todos lessem.

No momento marcado, que pode ser antes ou após uma refeição em família, cada um conta se gostou ou não do texto e porquê.

Solicitar ajuda no controle de gastos com água e energia elétrica:

Deixe que seus filhos proponham como ajudar;

Caso não apareça a proposta de resgatar o histórico de gastos e propor uma meta de redução, você coloca esta opção como principal foco.

Ofereça ajuda para o início do desafio e deixe que completem e apresentem o plano final.

Combine um prêmio para todos quando atingirem a meta proposta. Lembre-se que o prêmio não deve ser nada material, mas sim um passeio, um jantar, um programa em família.

Veja mais duas dicas clicando aqui.

Essas são algumas das atividades que podem ajudar seu filho a desenvolver senso de responsabilidade, foco, concentração, melhorar a auto estima, trabalho em equipe, respeito às diferenças, praticar a escrita e o raciocínio lógico, entre outras habilidades que serão fundamentais para um ano letivo com melhores resultados.

Uma forma divertida para desenvolver em nossas crianças habilidades de concentração e foco, mas que anda esquecida nos dias atuais, é retomar brincadeiras como “quente-frio”, na qual uma pessoa esconde um objeto e as outras que vão tentar encontrá-lo recebem somente as pistas quanto a estarem próximos ou distantes do local onde foi escondido o objeto.

Outra brincadeira especialmente eficaz para ajudar a desenvolver o foco necessário para os estudos é “Onde está Wally?”.

Quando nos concentramos na imagem que desejamos encontrar em meio a tantos outros objetos e locais, fazemos uma reprodução mental da imagem e os neurônios do córtex visual nos ajudam, selecionando os neurônios em que temos as cores e formas daquele objeto armazenados. No caso do Wally, a brincadeira ajuda a crianças para que aprendam a calibrar e exercitar os filtros de atenção visual, de forma que possam localizar pistas no ambiente em questão para descobrir onde Wally se encontra.

Quando exercitamos nossos neurônios intencionalmente com este tipo de foco, nosso cérebro se envolve em um tipo de processamento avançado, que começa por nossos canais de visão e/ou audição mas que imediatamente recruta outras partes do cérebro para ajudar na execução da atividade.

Esse processo será depois mais facilmente reproduzido nos momentos de estudos e de provas na escola.

Devido ao grande número de atividades que fazemos simultaneamente e ao enorme aumento de informações que invadem nossa mente o tempo todo, nosso cérebro desenvolveu um mecanismo para lidar com mais do que de fato consegue processar.  Este mecanismo é chamado por alguns cientistas de Ponto Cego Cognitivo. Outros denominam esse fenômeno como Cegueira por falta de atenção. 

Um exemplo bem comum ao nosso dia a dia é a seguinte situação: você chega do supermercado cheia de sacolas. Enquanto abre a porta, escuta o telefone telefone tocando. Ao abrir a porta, o cachorro tenta sair. Suas mãos ainda cheia de sacolas, você atende o telefone, coloca as sacolas na mesa enquanto fala e depois de desligar o telefone, surpresa: não encontra as chaves!

O “sumiço” das chaves acontece porque o filtro de atenção passou do limite dos que consegue manter! A ação de colocar as chaves em algum lugar ficou em seu ponto cego cognitivo.

Nosso cérebro ignora aquilo que pode estar à nossa frente, mas que não é foco de atenção naquele momento. Por isso duas pessoas descrevem um mesmo cenário de formas tão diferentes.

Este mesmo processo ocorre quando seu filho faz tarefa ou estuda para a prova em um ambiente tumultuado ou enquanto acessa redes sociais e manda ou recebe mensagens de texto. Simplesmente o cérebro não assimila o que as mãos podem estar escrevendo ou os olhos lendo. E lá se foi aquele tempo todo perdido. Pior: o espanto de todos quando os resultados das provas chegam e há testemunhas, na própria família, de que a criança ou adolescente estudou sim: todos se lembram de tê-lo visto sentado por horas com seus livros. Seu cérebro, porém, assim como no caso das chaves desaparecidas, não tem a mínima ideia de onde foi parar todo o conteúdo que ele pensava estar estudando!

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